quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

As Grandes Escolhas do Benfica

Ao iniciar esta série de textos, conjunto que será tão longo e detalhado quanto os leitores quiserem, tenho de fazer uma prévia declaração pessoal: eu fui um dos que contribuíram para a eleição do Companheiro João Vale e Azevedo para a Presidência do Nosso Clube.
Fi-lo, conhecendo pessoalmente esse Companheiro, com o qual tinha feito negócios, sem absolutamente nenhuma razão de queixa e convicto do seu Enorme Benfiquismo, do qual ainda hoje não duvido. Fi-lo, convicto de que, no que eu entendia ser, até então, o momento mais grave da História do Benfica, JVA era o mais capaz, entre os 3 candidatos, para superar a gravíssima herança deixada pelo consulado daquele que eu considero, ainda hoje, como o menos bom dos Presidentes do Glorioso.
Passado o triénio (antes disso, mesmo), fiz tudo o que me foi possível para eleger o Companheiro Manuel Vilarinho e afastar JVA dos Corpos Sociais, ainda que me não movesse absolutamente nada de pessoal contra JVA, já que, ainda hoje, creio que ele só prejudicou o Clube sem intenção, numa tentativa de manter-se na Presidência e já depois de ter perdido, completamente, o controlo da situação do Benfica.
Portanto, é sem nenhum sentido de “vingança” contra JVA que escolho como cenário inicial desta discussão, esse momento da eleição do Companheiro Vilarinho. Trata-se de uma opção que me parece correcta (é pouco mais de uma década), mas que poderá ser alterada desde que nos apareçam comentários a sugerir a discussão de opções estratégicas tomadas antes mesmo dessa data.

A Historia recente

Salvação do Clube e Reconquista da Credibilidade.

Os factos são o que são e não o que gostaríamos que fossem e os factos demonstram que, nessa altura, o Benfica estava em risco de ter de vir a ser “refundado”.
Do ponto de vista jurídico e fiscal, o Glorioso estava sujeito a ameaças objectivas (penhoras, sentenças transitadas em julgado e arresto das contas bancárias) que condicionavam a quase totalidade das suas receitas.
Do ponto de vista organizativo, o Benfica estava no mais absoluto caos: arquivos dispersos, contabilidade atrasada e desorganizada e estrutura de gestão quase inexistente.
Quanto ao parque desportivo do Clube (do qual todos nos recordamos), bastará dizer que a soma das facturas da respectiva manutenção e dos 36 meses anteriores (nem uma só paga) era superior a 4,6 milhões de contos (23M de euros), ou seja a manutenção do parque desportivo custava quase 1M de euros por mês (fora os juros de mora e as facturas que “nasceram” depois).
Desportivamente, o Clube tinha perdido o seu ecletismo e tinha sido desbaratada quase toda a formação de Atletas, inclusive no tocante ao futebol. Quanto à Equipa principal de futebol, tinha 4 meses de salários em atraso.
O Clube estava completamente desacreditado e a ser alvo de uma gigantesca campanha de merdia que, visando JVA, atingia o Benfica em todas as vertentes da sua actividade.

Parece-me escusado alongar-me num testemunho (que é disso que se trata, não duvidem) sobre uma situação que só os muito mais novos não viveram, ou já não recordam na plena extensão do seu dramatismo.
O que escrevi, somado ao que todos conhecem, é mais do que suficiente para respondermos à pergunta que aqui me trouxe: é, ou não, pacífico aceitarmos que, nesta situação, a prioridade das prioridades da Direcção tinha de ser a “Reconquista da Credibilidade” ?

Clarinho, clarinho, “para militar entender”, o que eu pretendo dizer é que, além de pensar o futuro e “apagar os fogos” do presente, a Direcção não tinha mais nada para fazer do que … restaurar a credibilidade do Benfica.
Nem futebol, nem plantel, nem formação, nem instalações, nem modalidades, nem Empregados, nem … NADA! Nada vezes nada e até que todos soubessem que a palavra do Clube, dada pela sua Direcção eleita, voltava a, como sempre, valer … ouro!
Eu considero que esta “reconquista”, que demorou pelo menos dois anos, era uma condição sine qua non sem a qual nada mais seria possível, sem a qual não haveria futuro, nem … Benfica!

Viva o Benfica!

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