Ser do Benfica não é uma escolha, é destino.
Desde aquele 28 de fevereiro de 1904, quando um grupo de rapazes sonhadores fundou o Sport Lisboa, que o nosso destino ficou traçado. Mais tarde, com a união ao Grupo Sport Benfica, nasceu um gigante. Nasceu o clube do povo. Cresceu nas ruas, nos bairros, nas conversas de café.
E no alto do emblema, a águia. Sempre a águia. Símbolo de nobreza, de ambição, de coragem, Quando ela sobrevoa a Luz antes do jogo, não é espetáculo. É identidade. É memória. É um aviso, É exigir que o presente esteja à altura do passado. É não aceitar menos do que a nossa história.
Nascemos para voar alto e houve um tempo em que a Europa tremeu perante o vermelho. Houve um tempo em que o Benfica não entrava em campo, impunha-se. E o mundo olhava e sabia: ali vinha qualquer coisa de maior.
Quando Eusébio, o Pantera Negra, levava nos pés a chama imensa e ao seu lado corriam outros gloriosos como o eterno capitão
Mário Coluna, a inteligência do José Águas , a irreverência do António Simões, a raça de José Augusto e Germano, firme como uma muralha.
Homens que vestiam o manto sagrado como se fosse a própria pele. E no comando, Béla Guttmann, um homem que acreditava que o impossível era apenas uma questão de coragem. Ele não pediu licença à Europa, conquistou-a. E nós aprendemos, ali, que o Benfica nasceu para ser grande.
Mas a nossa história não é só Luz. As sombras chegaram com o tal “Vietname”. Foram anos de finais perdidas, promessas desfeitas, sonhos estilhaçados . Mas mesmo assim, nunca deixamos de acreditar e dissemos presente fazendo jus ao nosso lema,“E Pluribus Unum”!
Depois veio o tetra que nos devolveu o orgulho e com ele a possibilidade da conquista de um histórico penta. Mas falhámos. Por erros próprios. Por soberba. Por decisões que nos afastaram da nossa essência. A liderança de Luís Filipe Vieira teve méritos, reconstruiu e estabilizou, porém também nos trouxe ilusões de grandeza mal medida. Pensámos que éramos invencíveis quando ainda precisávamos de ser humildes.
E depois Rui Costa. O Maestro que liga gerações. Vibrei com ele dentro de campo. Sofri quando saiu. Aplaudi quando voltou. Hoje é presidente. Um dos nossos. Um homem que sente o símbolo. Mas amar o Benfica não é o mesmo que saber decidir pelo Benfica e o caminho tem tido erros, hesitações, escolhas discutíveis.
Mas ser do Benfica é carregar toda esta herança e entre glórias e tempestades, honrar os ases do passado. É quando a águia rasga o céu, sentir o passado e o futuro a encontrar-se. É ver o Eusébio a correr, o Coluna a comandar, o Guttmann a sorrir, e saber que
ainda podemos tudo.
Porque a grandeza constrói-se. E nós já provámos ao mundo que sabemos como se faz.