Confesso que houve momentos em que pensei que esta noite europeia ia dar mais dores de cabeça do que motivos para festejar. O Benfica venceu o Omonia por 1-4, mas o resultado esconde um jogo de duas caras, com uma primeira parte aos soluços e uma segunda em que a águia finalmente decidiu mostrar as garras.
Entrámos bem, chegámos à vantagem com um lance de Echeverri que acabou em autogolo e, aparentemente, achámos que o resto se resolveria por magia. Só que o Omonia não estava para ser figurante. A equipa adormeceu, facilitou na defesa e sofreu o empate aos 42 minutos. Pois claro! Podia lá faltar um daqueles momentos à Monty Python!
Na segunda parte, felizmente, apareceu outro Benfica. Pavlidis voltou a mostrar o instinto de goleador, Aursnes aproveitou um erro adversário e Lukebakio, com uma arrancada fantástica, ofereceu a Prestianni o quarto golo. Gostei de o ver optar pela assistência. Também se agradece quando o talento vem acompanhado de juízo!
Pela positiva, destaco Pavlidis, sempre oportuno, Echeverri, um diabinho de facto, e Aursnes, pela inteligência e capacidade de trabalho. E também Sudakov, que soube pausar o jogo. Parece que não, mas, às vezes, também é preciso!
Pela negativa, Rafa esteve em modo fantasma e, definitivamente, não está num bom momento. O Manu teve boas movimentações, mas falhou demasiados passes e perdeu muitas bolas. E o Palhinha que, na minha opinião, não trouxe a estabilidade esperada no meio-campo.
Quanto ao golo do empate, fiquei com os cabelos em pé! Como é possível dar tanto espaço a Montnor para correr e cruzar e depois deixar Kakoullis aparecer completamente à vontade para cabecear?! Raios partam! Bah, El Karouani e Circati não ficam bem na fotografia, mas o problema foi, mais uma vez, colectivo. Foram facilidades a mais numa só jogada. Fiquei furiosa!
Também não gostei nada daquela circulação inconsequente na primeira parte. Ter a bola é bonito, mas convém fazer alguma coisa com ela! E, defensivamente, não podemos continuar a confundir tranquilidade com desconcentração.
Uma palavra também para o treinador, Marco Silva. Percebo as dores de crescimento, a necessidade de consolidar processos e a importância de rodar a equipa. Gostei da reacção na segunda parte e das alterações que deram outra dinâmica ao jogo, embora tenha sentido falta dessa atitude desde o início. A rotação é necessária e o crescimento leva tempo, mas o importante é que esse trabalho se traduza, progressivamente, em melhores exibições e maior consistência dentro de campo.
Quatro golos na conta e mais um passo em frente na nossa caminhada europeia! Ainda assim, fiquei muito mais satisfeita com a segunda parte do que com a primeira e espero que a equipa saiba retirar as devidas conclusões. Porque uma coisa é ganhar por goleada, outra é convencer durante os 90 minutos.
E eu, como benfiquista, quero as duas coisas.


