sábado, 21 de março de 2026

Benfica vs Guimarães - Liga Betclic - 27ª Jornada.


Benfica ___ * ___ Guimarães
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Árbitro:- Luís Godinho ( AF Évora )

Árbitros assistentes:- Rui Teixeira, Gonçalo Vaz Freire

4º árbitro:- Luís Filipe

VAR/AVAR:- Manuel Mota, Paulo Miranda

Delegados:- Augusto Carvalho, Nuno Amaral

Observador:- Pedro Sá

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Constituição das equipas:
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BENFICA: Trubin, Bah, Tomás Araújo, Barrenechea, Dahl, Barreiro, Ríos, Prestianni, Sudakov, Schjelderup e Pavlidis.
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Suplentes do Benfica: Samuel Soares, Ivanovic, Lukebakio, Sidny Cabral, Manu Silva, Rafa Silva, Otamendi, Banjaqui e Anísio Cabral.
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 V. GUIMARÃES: Charles, Strata, Thiago Balieiro, Óscar Rivas, João Mendes, Samu, Miguel Nogueira, Beni Mukendi, Gonçalo Nogueira, Camara e Nélson Oliveira.
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Suplentes do V. Guimarães: Juan Reyes, Miguel Maga, Gustavo Silva, Telmo Arcanjo, Diogo Sousa, Abascal, Saviolo, Francisco Dias e Ndoye.  
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Carrega Ben fica
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sexta-feira, 20 de março de 2026

Um de Nós

 

Foram 9 anos de raça, entrega e respeito ao Benfica.

Ontem despedimo-nos de ti, Silvino, mas nunca daquilo que representaste dentro de campo.

Obrigado por tudo.

Até sempre campeão! 

 

quinta-feira, 19 de março de 2026

O Legado de Um Guerreiro

 

No futebol, alguns jogadores destacam-se pelo talento que anunciam, outros pelo respeito que inspiram silenciosamente. 

Nicolás Otamendi pertence claramente ao segundo grupo.

Otamendi nunca foi um jogador de meias-medidas. Desde os primeiros passos na Argentina até se afirmar nos palcos mais exigentes da Europa e na seleção, a sua reputação foi construída com carácter, entrega e uma competitividade feroz que nunca esmoreceu com o passar dos anos. Em cada duelo, em cada corte decisivo, em cada comando no relvado, ficou evidente aquilo que distingue os grandes capitães dos restantes, liderar pelo exemplo.  Uma forma de estar que o futebol resumiu numa alcunha simples e poderosa: O General.

Portugal faz parte dessa história. Foi no FCP que se apresentou ao futebol europeu e onde rapidamente se destacou pela sua personalidade. Muitos anos e muitos desafios depois, o destino acabou por desenhar um regresso inesperado a Portugal, desta vez para vestir a camisola do Benfica.

Não era um cenário simples. A passagem anterior por um rival directo inevitavelmente levantou dúvidas e desconfianças. Além disso, o início não foi particularmente tranquilo. Houve erros, houve críticas, houve momentos em que parecia faltar sintonia. Mas certas reputações constroem-se precisamente pela forma de responder às dúvidas. Com o tempo, Otamendi voltou a afirmar aquilo que sempre foi, alguém que nunca vira a cara à luta, um líder que nunca se esconde. E gradualmente, as desconfianças foram sendo substituídas por reconhecimento. O General voltava a assumir o seu lugar.

O seu percurso merece ser recordado com respeito e admiração. Ao longo de várias décadas ao mais alto nível tornou-se sinónimo de liderança, coragem e compromisso absoluto. Mais do que títulos ou estatísticas, ficará na memória a figura de um verdadeiro guerreiro de campo inteiro.

Porque como em todas as grandes histórias, aproxima-se lentamente o momento em que o último capítulo começa a ser escrito. Não como um fim abrupto, mas como o encerramento natural de uma carreira intensa, consistente, exemplar. Um derradeiro acto de sabedoria de quem conquistou praticamente tudo o que havia para conquistar.

Porque os grandes não se retiram, permanecem. Vivem na memória dos estádios, na cultura dos clubes e na admiração dos adeptos. E quando chegar o dia em que Otamendi pendurar as chuteiras, não será apenas o adeus de um defesa-central. Será a despedida de alguém cuja presença deixou uma marca profunda em todos os que com ele conviveram dentro e fora do relvado.

Será o momento em que um líder cruza o limiar da sua última vitória. De cabeça erguida, com a dignidade, a coragem e a entrega que sempre demonstrou. Porque, no futebol, como na vida, há títulos que não se compram nem se inventam. Conquistam-se.

E poucos os mereceram tanto como ele: O General.

Forjado na luta, eternizado no respeito.  

Até lá desfrutemos. 

sábado, 14 de março de 2026

Arouca vs Benfica - liga Betclic - 26ª Jornada.

 


Arouca ___ * ___ Benfica
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O encontro Arouca vs Benfica, será dirigido pelo árbitro José Bessa, da Associação de Futebol do Porto, que contará com o apoio dos assistentes Hugo Santos e Ângelo Carneiro. 

Nas funções de vídeo-árbitro (VAR) estará Pedro Ferreira, auxiliado por Nuno Eiras, num jogo que se antevê de grande exigência para a equipa de arbitragem.
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Constituição das equipas:
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AROUCA: Ignacio De Arruabarrena; Diogo Monteiro, Javi Sánchez, José Fontán e Bas Kuipers; Espen van Ee, Fukui e Hyunju Lee; Djouahra, Barbero e Trezza.
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Suplentes do Arouca: João Valido; José Silva, Popovic, Pablo Gozálbez, Puche, Yellu Santiago, Dílan Nandín, Brian Mansilla e Danté.
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BENFICA: Trubin; Bah, António Silva, Tomás Araújo e Dahl; Barreiro e Ríos; Lukebakio, Rafa e Schjelderup; Pavlidis.
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Suplentes do Benfica: Samuel Soares; Dedic, Gonçalo Oliveira, Manu Silva, Miguel Figueiredo, Sudakov, Prestianni, Ivanovic e Anísio Cabral.  
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Carrega Benfica
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quinta-feira, 12 de março de 2026

 PORCOS, SERÃO SEMPRE PORCOS

Sobre o jogo propriamente dito, já muito foi dito e escrito. Uns, preferiram manter a tónica inicial, e reiterar, que os das riscas continuam a ser os melhores dos melhores e os vencedores antecipados, e "obrigatórios" desta liguinha. Acrescento eu, mentirosa e prenha de falsidade.

Outros, com agenda muito própria, filhos para criar e muitas contas a pagar, monetárias e outras, concordam com tudo o que é dito, e aceitam o resumo do jogo como sendo um quase massacre dos campeões da "frutóchocolate". Quando, ao verificar qualquer estatística, esta nos indica que o Benfica foi superior em tudo, menos no numero de faltas, e por conseguinte nas ações defensivas no meio campo contrário, para parar o jogo adversário onde este é mestre desde o inicio do campeonato. 

Foi um jogo bem preparado pelo adversário. A estratégia do contra ataque resultou em pleno...Mas o jogo não foi, nunca foi, uma amostra da superioridade da equipa forasteira.
O jogo nunca foi o desiquilíbrio que querem fazer crer...tenham a pachorra de rever o mesmo, e depois falem.
Poucos falam, ou quase ninguém fala, da tal "fisicalidade" dos riscados, mas não há quem diga que foi violenta e impune, "esquecem" os coices sem qualquer sanção, as pisadelas sem punição, principalmente uma do Gabri Veiga sobre o Rafa antes dos 15 minutos, e já vi jogadores do Benfica expulsos por muito menos, e o disputar a bola sempre de sola levantada, ou ainda dos possíveis penaltis que ficaram por marcar, sim no plural, e que nem avaliados foram como tal.
Obviamente, só se ouviu falar de uma entrada mais ríspida do Prestianni...O habitual.

O Benfica, tal como na ultima época, perde as esperanças no titulo, no confronto direto com um candidato, e em casa... Mas perde no nosso entender, no que nós pensamos ser possivel...Mas, na realidade, seria totalmente impossível, o Glorioso vencer qualquer um dos últimos campeonatos. Só a titulo de exemplo, e só um, porque são inúmeros, aponto o penalti assinalado a favor do putedo contra o Arouca. Um lance ridículo, de apanhados, que comparado com uma joelhada que o Pavlidis levou do guarda redes e a falta, deste mesmo, no final do jogo onde impede o Grego de jogar a bola, mostram bem a impossibilidade de sermos campeões. Embora, eu até ache que Pavlidis se desiquilibra porque Bednarek o empurra com a coxa...
Com as facilidades concedidas aos amigos das riscas, os tais amantes do Altis, somando a ladroagem a que temos sido sujeitos, a admiração é pensar que ainda poderíamos estar na luta pelo titulo !!
 
O tri-cobarde, quem o diz é o dr. sapo, sabendo como são tratados os jogadores do Benfica enquanto tentam dormir no Hotel, e os adeptos do nosso Clube quando vão ao antro da corrupção, solicitou, ordenou, reforço policial junto ao sitio onde pernoitaram, e no acompanhamento dos azuis às riscas e a presença de delegados da Liga para relatar qualquer incidente. 
Como diria o meu avô, quem tem cu tem medo...ou deixa lá acautelar isto, não vão eles mandarem descalçar os coitadinhos dos delinquentes dragays, que se podem constipar... 
Não consta qualquer problema. Nem roubo de bolas, ou que tenham sido escondidas,  toalhas desaparecidas junto do guarda redes, ou um balneário impróprio para se equiparem, ou mesmo provocador, insultuoso, ou televisões que não desligam.
Mas como são os reis da calimeirice, e vencedores em ex aequo com os sapos, do prémio "Calimero do Ano", de certeza que daqueles cornos vai sair alguma queixinha.

Na podridão que grassa pelo jornalixo desportivo, os temas mais importantes dizem respeito sempre ao Benfica...que é o terceiro classificado ! É o meio campo, é o guarda redes, é o Pavlidis, é o Rafa, são os alas...são as declarações de Mourinho, marram com os gastos desde o inicio da época...Mas sabemos o porquê. Entretanto as declarações de um Militar, com posto de Oficial, patente de Capitão, e Médico, presidente de um clube, que insulta, gravemente, outro presidente, são passadas a lixivia...mas tudo normal, são os mesmos que afirmaram aos sete ventos, que o cheiro das bufas do novo dono do "frutóchocolate" seria refrescante...Mas devem estar desiludidos porque só as moscas são diferentes...aquilo continua nauseabundo.

Poucos entenderam o discurso de Mourinho. Fisicalidade é diferente de velocidade e de agressividade na disputa da bola. Ele já tinha sido expulso, não ia acusar o metralha, abertamente, de pactuar com a brutalidade que os jogadores do fruta, corrupção e putedo usaram.
Mourinho sabe bem o que se passa naquela casa. Sabe muito bem o tipo de água que bebem. Ele só não quis dizer, descaradamente, que os jogadores do Benfica correram o que podiam, mas parecia que os outros iam de bicicleta com suplemento...motorizado...e a velocidade era tanta, que os fazia ficar com os olhos vidrados.

Mourinho foi polido no discurso. Sabe bem que o destinatário o entendeu. Até na acusação que fez ao mau profissional Lucho Gonzalez, adjunto de adjunto, que o acusou de "traidor" esteve bem ao não ir mais além...pois iria colocar em causa os próprios êxitos que teve no clube do putedo. Iria fazer com que muitos jogos, onde, como adversários estavam ex jogadores ou treinadores do "frutóchocolate", foram ganhos porque a obediência ao dono falou mais alto...e nunca iriam trair os princípios daquela casa...Nada de novo. Ontem, tal e qual como hoje. 
O que se ficou a saber, foi que, se por mero acaso, o adjunto de adjunto, tivesse defrontado o seu atual clube, enquanto representava outro...facilitaria a vitória aos adoradores da corrupção. Ainda está a tempo.

Criticas de Mourinho aos jogadores do Benfica, e não só ?
Nada mais nada menos, o que qualquer simples Benfiquista não sinta. Em toda a linha. Se querem ganhar é bom que acordem. Feitas em privado, fica-se sem saber, se de facto foram feitas. Assim é bom que tenham vergonha na cara, pois foram publicas.
O "recado" foi para dentro, Direção incluída, e para fora, os adeptos e sócios ficaram a saber que ele sabe bem o que se passa, e que agora não há desculpas, todos ouviram os avisos.
Mas será bom que se mentalize, Mourinho, que também não está isento de culpas.
Os jogadores têm de saber que estão no BENFICA. 
Representam milhões de adeptos, e ganham milhões.
Quando é necessário, o Treinador dizer em publico que a Equipa sente falta de um jogador, é bom que os outros, coloquem a mão na consciência, e tenham uma reflexão sobre a forma como se comportam em campo, e como se deveriam comportar. 
Rui Costa, depois da CI, terá de refletir muito bem se quer continuar com Mourinho, que neste momento é tudo no Benfica, e preparar uma equipa ganhadora, ou se quer só mais um treinadorzinho que lhe faça as vontades, que o elogie, que ganhe uma Liga de vez em quando, e "coma" os jogadores que ele lhe coloca na mesa. 
Mourinho não aceita ser assim. Nota-se a diferença do Mourinho que chegou e do que se apresenta atualmente...para melhor. Quer queiram quer não.
Mourinho errou no onze que apresentou ? Escrevi antes do jogo começar, que sim, que quanto a mim deveria ser outro...mas ele lá sabe, até porque, mesmo estando a perder por dois de diferença, erros individuais, a equipa conseguiu empatar, e só não ganhou porque foi roubada.
Mourinho é muito, muitíssimo, inteligente. E com muitos conhecimentos. Não foi por acaso, que alguém na Conferencia de Imprensa, tenha soltado a pergunta sobre o seu futuro, se já havia falado com Rui Costa.  
Brevemente teremos noticias sobre o assunto, e se Mourinho ficar, sim "se ficar", vai tomar as rédeas das contratações, e da preparação da próxima época, e não me admiraria, ver o Benfica jogar muitas vezes num sistema de três centrais ... Agora, se ele sequer sonhar, que outro treinador já foi sondado, e que até já terá iniciado contactos com alguns jogadores...Tenho a certeza que cabeças vão rolar.
 
Que fique claro : O Benfica não venceu o jogo por causa do pinheiro em campo e do canalha no VAR ? Não, nada disso. Também cometeu erros próprios que são inadmissíveis em qualquer equipa. Mas esses dois javardos ajudaram e muito.
 
 OBS : Benfica, muito bem, a homenagear o falecido António Lobo Antunes. 
Minuto de silêncio respeitado, até que uns porcos decidiram continuar a ser porcos, naquele instante em que elogiaram as próprias mães...O restante Estádio bateu palmas. Muito bem.

OBS 2 : Por hoje é tudo, as minhas desculpas, a quem estava à espera que fizesse alguns comentários ao que disse o treinador Italiano na CI, quais as justificações que inventou para não ganhar o jogo ao "pior Benfica da década", mas... além de me estar a marimbar para o gajo,  tinha mais que fazer...

OBS 3 : Só mais uma nota sobre a derrota dos sapos com o Bodo Glimt, que penso ter ganho a primeira vez a um campeão em titulo, foi merecida. Isto sem o colinho é mais complicado.
A Conferência de Imprensa, do treinador sapoide pós jogo ? Não ouvi, estava a comer uma "caeinja"... 😁😁😉

PS : Soube agora que faleceu o Benfiquista Mário Zambujal. Pessoa, jornalista e escritor, que aprendi a admirar. Os pêsames a toda a família. Que descanse em paz.


VIVA O BENFICA
SEMPRE PELO BENFICA   

terça-feira, 10 de março de 2026

Primeiro complica-se, depois logo se vê


Há equipas que tentam resolver os jogos cedo. O Benfica prefere um método mais artístico: primeiro complica, depois corre atrás do prejuízo e, se tudo correr bem, ainda arranca qualquer coisa no fim. Foi mais ou menos esse o plano contra o Porto.

O onze inicial já levantava algumas sobrancelhas. A dupla Enzo Barrenechea / Richard Ríos no meio-campo é sempre um exercício de fé. Sabemos que há qualidade ali, algures, o problema é encontrá-la quando do outro lado está uma equipa que joga a um ritmo que parece ligeiramente mais rápido do que o Benfica costuma apreciar.

Ainda assim, o jogo até começou com uma oportunidade perfeita para mudar a narrativa. Bola recuperada e um dois para um contra a defesa portista. Era o tipo de lance que nos faz pensar: “pronto, hoje entrámos bem”. Rafa, porém, decidiu acrescentar um pouco de suspense. Mais um toque, depois outro, talvez para avaliar melhor o relvado… e quando finalmente pensou em passar a bola, a defesa do Porto já tinha voltado ao sítio. O lance morreu ali, como tantos outros esta época.

O Porto agradeceu a gentileza e respondeu com pragmatismo. O primeiro golo foi uma sucessão de erros em cadeia. Uma subida tresloucada do Otamendi, ninguém compensa, auto-estrada nas costas, Froholdt remata e Trubin defende para a frente com aquela generosidade que caracteriza os grandes anfitriões, directamente para os pés do mesmo jogador. Resultado: recarga e golo. Um verdadeiro trabalho de equipa e a impressão de que já tínhamos visto este filme várias vezes esta temporada.

O segundo golo foi ainda mais simples. O Benfica todo lançado para a frente, talvez convencido de que o Porto iria respeitosamente esperar que a jogada terminasse. Não esperou. Um passe longo, um jogador completamente sozinho na direita, uma corrida tranquila até à área e finalização sem grande oposição. Dois a zero e a sensação de que o jogo estava resolvido e que podíamos estar perante uma daquelas noites que parecem não ter fim.

O Benfica tinha a bola e boas intenções, mas ao intervalo a vantagem portista não surpreendia ninguém.

A segunda parte começou sem alterações, o que, perante ao que se tinha assistido na primeiro parte, foi no mínimo uma surpresa. Mas eis que finalmente alguém se lembrou de que estávamos a perder e que talvez fosse conveniente fazer qualquer coisa.

Entraram Ivanovic, Lukebakio e Barreiro, que trouxe ao meio-campo algo exótico chamado organização. Quatro minutos depois, remate ao poste, recarga e golo e a Luz voltou a respirar.

A partir daí o Benfica empurrou o Porto para trás, assumiu mais riscos e o jogo entrou naquele mood do tudo pode acontecer. Cada ataque do Benfica trazia esperança, cada contra-ataque portista parecia capaz de nos provocar um ataque cardíaco colectivo.

Mas o empate chegou mesmo a dois minutos do fim. Jogada rápida pela direita, cruzamento de primeira de Ivanovic e finalização também de primeira de Barreiro. Tudo muito simples, directo e eficaz e curiosamente exactamente o tipo de futebol que o Benfica demorou cerca de 88 minutos a experimentar.

E de repente a vitória parecia possível. Mas como o futebol português nunca resiste a um pouco de drama extra, uma confusão junto aos bancos quebrou completamente o ritmo de jogo e os seis minutos de compensação, cortesia do artista vestido de preto, fizeram o resto. Pelo meio ainda houve um penálti e uma expulsão que o árbitro e o VAR decidiram ignorar, num exercício peculiar de cegueira assistida por tecnologia.

No fim, o FC Porto não festejou título nenhum na Luz, é verdade, mas também não saiu propriamente preocupado. Já o Benfica saiu com aquele sentimento familiar de oportunidade perdida e a vaga ideia de que talvez fosse útil começar os jogos um pouco antes do minuto 70.

Porque há padrões que se repetem com uma consistência quase científica: metade do jogo a complicar, a outra metade a correr atrás do prejuízo.

É uma abordagem interessante, sem dúvida, mas infelizmente não costuma ser muito eficaz quando o objectivo é ganhar campeonatos.

Uma nota final para a cereja no topo do bolo que foi a conferência pós-jogo do Mourinho. Mas essa parte do espetáculo deixo para o meu ilustre colega Paulo Santos, que certamente terá muito a acrescentar com perspicácia que lhe é característica.

domingo, 8 de março de 2026

Benfica vs Porto - Liga Betclic - 25ª Jornada.

 



Benfica  2  * 2  Porto
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João Pinheiro será o árbitro principal, enquanto Bruno Jesus e Luciano Maia estarão como assistentes. Hélder Carvalho (quarto árbitro), Luís Ferreira (VAR) e Valdemar Maia (AVAR) completam a equipa de arbitragem nomeada para o duelo no Estádio da Luz.

Constituição das equipas:
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BENFICA: Trubin; Dedic, Tomás Araújo, Otamendi e Dahl; Barrenechea e Ríos; Prestianni, Schjelderup e Rafa; Pavlidis.
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Suplentes do Benfica: Samuel Soares; António Silva, Bah, Lukebakio, Sudakov, Ivanovic, Manu Silva, Barreiro e Anísio Cabral.
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PORTO: Diogo Costa; Alberto Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Martim Fernandes, Alan Varela, Victor Froholdt, Gabri Veiga, Pepê, Oskar Pietuszewski e Deniz Gül.
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Suplentes do FC Porto: Cláudio Ramos; Thiago Silva, Francisco Moura, Pablo Rosario, Seko Fofana, Rodrigo Mora, William Gomes, Borja Sainz e Terem Moffi.  
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Carrega Benfica
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sexta-feira, 6 de março de 2026

Génesis da Bola


No princípio era o verbo…
Mas não era nada…era só para nos distrair, para ver se estávamos atentos!

No princípio era o futebol.

Ainda não havia linhas nem redes,
e já a bola flutuava sobre o nada.
E o primeiro som não foi palavra nenhuma!
O que se ouviu, foi algo mais simples e puro.
O couro a ceder sob o pé,
um estalo que acordou o vazio
e pôs o mundo a mexer.

E do espaço profundo, com ar de estrela que nunca cai, o craque decretou:
— Faça-se o jogo!

E o jogo fez-se.

Separou-se a defesa do ataque.
Chamou-se “golo” à luz e às trevas “autocarro estacionado”.
E viu-se que era bom. Era estranho mas bonito.
Embora não faltasse o visionário de sempre:
— Isto assim não vamos lá, pá… Isto vai dar confusão, já vos digo…

No segundo dia criou-se o drible,
Arte fina e traiçoeira, capaz de deixar o adversário a pedir um GPS para recuperar a dignidade.
E com essa proeza divina que até os anjos aplaudiram, o povo rendeu-se
e o primeiro “olé” rebentou nas bancadas como tempestade sideral.

No terceiro dia nasceram as claques,
Multidões de cachecóis erguidos ao céu,
A transformar estádios em catedrais e bandeiras em mantos sagrados.
E no meio do fumo e dos cânticos alguém a berrar:
— Ó árbitro, abre os olhos, pá! Estás a gozar? Isso foi falta, até no Google Maps se viu!

No quarto dia surgiu o número 10,
E nos seus pés habitava a esperança.
Distribuía passes como quem espalha bênçãos.
E consoante o acerto ou o desacerto, ouvia-se:
- Isto é que é futebol champanhe!
- Ó artista, isto não é PlayStation!

No quinto dia inventou-se o golo nos descontos,
E quando já toda a gente dizia: já foste!
Saltaram cervejas e voaram bifanas,
A malta que já saía voltou para trás,
E entre abraços a desconhecidos transformados em irmãos,
Gritou-se com fé renovada:
- Estava escrito!

Mas também se criou o VAR.
E fez-se silêncio. Olhos postos no ecrã. Mãos na cabeça.
Frames intermináveis, linhas traçadas como gráficos de laboratório
Ombro ou sovaco? Unha ou chuteira?
E o povo, dividido entre a fé e a impaciência, dizia:
- Mas isto agora é engenharia aeroespacial? Porra, decide lá isso!
E viu-se que era fora de jogo por um átomo de ambição esquiva.
E metade assinou de cruz. A outra metade jurou que era conspiração. 

No sexto dia, os deuses olharam e disseram, falta-lhe emoção!
E assim se forjaram os dérbis e os clássicos,
E com eles rivalidades eternas, nervos à flor da pele, discussões que duram semanas, redes a arder.
E sobre todos pairou a lei sagrada do futebol:
- Para o ano é que é!

E ao sétimo dia… ninguém descansou.
Porque no futebol não há repouso,
há prolongamentos e penáltis,
e conferências de imprensa analisadas como se fossem cartas do além.

E assim ficou escrito:
Enquanto houver uma bola a rolar,
haverá magia na relva,
e cada remate será um acto de criação.

Porque no princípio era o futebol.
E o no Domingo...bem, no Domingo, logo se vê….

 

terça-feira, 3 de março de 2026

O Penálti Ontológico


O futebol português já não é apenas futebol. É uma experiência metafísica transmitida em HD numa interpretação contínua da realidade. O relvado fornece a matéria-prima e a verdade nasce a posteriori naquele santuário tecnológico onde residem os guardiões do critério. Ali, o VAR não decide apenas lances, decide sobre as infinitas possibilidades do multiverso.

E foi precisamente neste contexto que, no jogo entre o FCP e o FC Arouca, fomos brindados com um momento delicioso em que um pontapé se transformou numa saga quixotesca. 

Não falamos de um roçar poético nem de uma brisa outonal. Falamos de um valente pontapé, daqueles que ensinam anatomia em tempo real. Um diálogo directo entre chuteira e tornozelo, no qual o segundo foi diplomaticamente persuadido reconsiderar a sua permanência naquele ponto específico do universo.

O árbitro, mestre das interpretações, decidiu que era penálti a favor do FCP.

Na sala do VAR, entre cabos HDMI e repetições infinitas, e perante a possibilidade de um milagre conceptual, materializaram-se duas figuras convocadas em regime de urgência: Isaac Newton e Franz Kafka.

Newton foi o primeiro a falar.
— Meus senhores, isto é simples. Acção e reacção. Força aplicada, deslocamento resultante. Não há espaço para interpretações.

O VAR, com voz serena e institucional, respondeu:
— Agradecemos o contributo, senhor Newton. No entanto, após análise detalhada, concluímos que o tornozelo iniciou o contacto.

Newton franziu o sobrolho.
— Iniciou?! O tornozelo?! Está a sugerir que a reacção precedeu a acção?
— Não precedeu — esclareceu o VAR. — Coincidiu ontologicamente.

Newton levou as mãos à cabeça..
— Isso subverte a física!!!
— Não subverte — corrigiu o VAR — apenas a actualiza.

Kafka, que até então tomava notas silenciosamente, interveio com um leve sorriso.
— Meu caro Newton, não estamos perante uma questão de física, mas de procedimento. Aqui, o tornozelo não é julgado pelo que fez, mas pela sua presença inconveniente. O seu erro foi estar ali quando a chuteira passou. No processo, a explicação não é necessária porque o sistema não se explica, valida-se. A decisão não precisa de convencer, precisa apenas de existir.
— Correcto — confirmou o VAR — A análise considerou o enquadramento global do lance. O protocolo foi cumprido.

Houve então um breve silêncio, interrompido apenas pelo som da repetição do lance em 12K.

Newton aproximou-se do ecrã, apontando com o dedo:
— Mas o pé atinge claramente o tornozelo!!

O VAR ampliou a imagem.
— Ou talvez o tornozelo tenha decidido aproximar-se do pé — replicou o VAR,,impassível — A análise é multidimensional.

Kafka fechou o caderno, satisfeito.
— É sabido que a clareza dos factos nunca garantiu clareza do veredicto. Não se discute intenção, nem mecânica. Discute-se posição. A culpa não nasce do acto em si, mas da circunstância. E a circunstância é soberana. A realidade não é negada, é reinterpretada até colaborar.

Newton resignado, declarou.
— Peço formalmente férias. As minhas leis não estão preparadas para este campeonato.
— Pedido registado — respondeu o VAR. — Será analisado após verificação protocolar.

Lá fora, o penálti foi convertido. O jogo seguiu. O resultado ficou.
O tornozelo, esse, aprendeu que, em Portugal, ser atingido não significa ter direitos.
E o VAR reafirmou a sua natureza metafísica: não corrige a realidade, reconfigura-a.

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