domingo, 1 de abril de 2012

Reerguer o Benfica?



Reerguer o Benfica?


Não, Companheiro Bcool! Não há necessidade de reerguer o que já o foi!

Aparentemente, vai tornar-se um hábito eu voltar a este convívio convosco para “responder” a textos publicados em outros blogues através dos quais alguns Companheiros tentam “atacar” a qualidade da Gestão da Nossa SAD e, explicitamente, o Nosso Presidente.

Há umas, poucas, semanas, aqui vim para desmascarar a forma e o conteúdo de um texto desse tipo. Nessa altura escrevi que …   

Já não estão em causa só os “Velhos do Restelo”, sumamente ignorantes e reacionários, a torpedearem o Nosso crescimento com a mais descarada demagogia.
A falaciosa afirmação sobre qual vos escrevo, já revela uma outra forma de (não) viver a Democracia no Nosso Clube, uma outra forma de (não) exercer o direito á crítica: aos “Velhos do Restelo”, vieram, agora, juntar-se os “Dantas”, mais letrados, mais mentirosos e ainda mais demagogos.
  
Ontem, uma vez mais alertado pelo meu primogénito, dei de caras com o texto do Companheiro Bcool para o qual o Enorme Nunomaf e muito bem, chamou a atenção dos leitores de OBELOVOAR. O Fundador pode testemunhar que eu, ainda antes do Nuno aqui fazer esse alerta, lhe escrevi sugerindo-lhe que ele o fizesse.
Todos sabem como eu considero importante que os Benfiquistas sigam os aspetos económicos e financeiros da vida do Nosso Clube e de todo o seu Grupo Empresarial, pelo que, mesmo discordando em absoluto, não poderia deixar de aplaudir e desejar realçar aquele trabalho do Bcool, até para o poder vir contestar.

Muitos Companheiros dizem estar-se marimbando para a situação económica e financeira do Glorioso (dizem que o que querem são as vitórias), mas, ao menos nesse ponto, eu concordo com o Bcool (o Autor, ou o A, doravante) quando escreve “ … o domínio do futebol português … vai ser conseguido pela sociedade que consiga maior capacidade financeira …” (pelo menos tendencialmente) e essa é mais uma razão a obrigar-me a contestar o que foi escrito.
Acresce, ainda, que, na minha qualidade de Economista, não contenho a repulsa ao verificar que alguém que tem alguns conhecimentos (não muitos, mas alguns) nesta área, se serve deles para tentar manipular a verdade (não os números, que esses e mesmo afirmando de simples memória, o A cita sempre os verdadeiros), tentando, desse modo torpe, conduzir os incautos para as conclusões (obviamente erradas) que lhe “dão mais jeito”.

Qual é, afinal, a “tese” do A?
Que a Benfica SAD não está em “boas condições financeiras”, como se tal bastasse, se fosse verdade (e não é), para desqualificar a sua gestão.

Mesmo sem entrar a fundo na “Teoria da Gestão”, para não afugentar os leitores, creio que todos compreendem que a qualidade da gestão da SAD durante um certo período só pode ser avaliada através da comparação das situações inicial e final da SAD nesse mesmo período, ou seja: a gestão terá sido positiva se a SAD melhorou a sua situação, ou, inversamente, terá sido má se a situação piorou.
Este aspeto – que a gestão é um processo dinâmico, claro para os não especialistas em assuntos económicos, não deveria ter sido escamoteado por alguém que, como o A, sabe alguma coisa do tema, a menos que ele esteja movido por má fé. Aliás, o A deu prova de saber da importância do espaço temporal quando, simplificando (e dividindo por 10.000, sem que eu entenda a razão), escreveu “Imaginem que abriam uma empresa com 11.500E e depois de vários anos já só tinham 800 …”.
Ou seja, é movido por má fé que o A vem, fazendo eco, repisar o já estafado tema da “insuficiência” dos Capitais Próprios, esquecendo (omitindo o que tem obrigação de saber) o que eu já escrevi tantas vezes: uma correta avaliação dos Activos da SAD (passes de Atletas e não só) implicaria, pela incorporação dessas mais valias potenciais, um enorme aumento dos mesmos Capitais Próprios

O que sucede, de facto e ao contrário do que o A sugere, é que “quem” criou a Benfica SAD não tem só, passados estes anos, os 800 euro citados: também “tem” um estádio que vale muito mais que o investimento inicial, um conjunto de passes de Atletas cujo valor excede o dobro desse investimento inicial, mais um parque desportivo impressionante, um canal de TV, um LORD, um pequeno grupo empresarial viável, etc., etc.

Ou seja, o único argumento “quantificado” que suporta a “tese da má gestão” (o outro argumento, aquele ligado ao “excesso de atletas sob contrato e/ou dos negócios ruinosos”, nunca chega a ser suportado em números) e visa demonstrar que a Nossa SAD estaria em má situação financeira, não passa de uma grosseira falácia.
Mas este longo texto sobre o qual vos escrevo tem muitos aspetos extraordinários (no sentido de fora do normal): além de estar cheio de imprecisões (muitas das quais podem erradicar na tentativa do Autor descomplicar a sua linguagem, prejudicando o rigor técnico em favor da facilidade de leitura), ele inclui vários erros (alguns crassos), algumas mentiras descaradas e, até, alguns parágrafos … cómicos.

Para ilustrar, com dois exemplos, este último grupo, recordem o seguinte:
1)Estando o A a tentar demonstrar a periclitante situação da Benfica SAD, ele nem se apercebe que ao escrever que o “Passivo oneroso” (expressão com a qual entendeu referir-se aos passivos que vencem juros) atinge os 260ME passa, de facto, um tremendo elogio aos Administradores da SAD que conseguem cativar um tal volume de Capitais Alheios em troca de uma “remuneração” (cerca de 18ME) que corresponde a uma quase “prime rate”, bem abaixo do que o Estado tem tido de pagar pelas suas últimas emissões de divida;
2)Mais ainda, o A assinala (e bem) que entre esses 260ME há 122ME que correspondem a obrigações (não convertíveis) e outro papel comercial, ou seja … 122ME de empréstimos sem nenhuma garantia real (sem colateral), prova insofismável da absoluta confiança que o mercado deposita na gestão e na situação financeira (e económica) da Nossa SAD.

Não tenho razão? Isto não é muito cómico?
Então a SAD está quase falida, muito mal gerida e … há quem lhe empreste 122ME com baixas taxas de juro e sem garantias?

O segundo exemplo da comicidade do A obriga-me a “saltar” para um tema que o texto vai abordando um pouco “por aqui e por ali”, ou não fosse ele um assunto quase omnipresente para os Benfiquistas – os direitos de TV.
Não deixa de ser interessante que o A, que escreveu um trabalho quase ideal para todos os “anti vieiristas” (que andam, desgraçadamente e há anos, á procura de quem deslinde o que designam pelo “mito da gestão do orelhas”), acabe por, quando escreve sobre direitos de TV, quase se assumir como um defensor do mamão chupista, o que já seria duplamente cómico, mas ainda iria ser suplantado.

O que nos diz ele sobre os direitos de TV?
Reparem bem neste “colar de pérolas” que eu aqui vos deixo …
“…, qualquer contrato abaixo dos 25M é claramente um valor insuficiente …”
“… não acredito na teoria dos 200M de faturação, duvidando inclusive que essa cifra ultrapasse os 120M, pelo que duvido que o valor a oferecer ao Benfica ultrapasse os 15M”.

Haja alguém que lhe explique que a Administração da SAD recusou uma oferta muito superior ao limite que ele ainda duvida que possa ser ultrapassado e … sem se rir, por favor.

E hilário continuaria se, mentirosamente, tivesse a humildade de desconfiar da própria ignorância, evitando cometer aquele que, para mim, constitui o mais grave pecado entre Benfiquistas: a mentira esfarrapada.

Cuidado com as mentiras …

Ainda a propósito dos direitos de TV e do mamão chupista o A escreve

“Convém realçar que uma das garantias do Project Finance (da Catedral) é o contrato entre a SLB SAD e a Olivedosporcos assinado em 2003, razão pela qual não é previsível a não renovação do contrato.” 
E argumenta que a Nossa Benfica TV não constitui alternativa credível segundo o BES, o BCP, ele próprio e, naturalmente, … na opinião do mamão chupista.

Fosse o A um nadinha humilde e escusava de ter confessado ao mundo que não tem nem ideia do que é um Project Finance (um tipo de financiamento que não admite nenhuma outra garantia que não sejam as receitas previstas do próprio veiculo sobre o qual se estrutura o empréstimo). Fosse o A um mínimo rigoroso e não estivesse movido pela já comprovada má fé e teria evitado esta mentira despudorada.

A propósito do Benfica Stars Fundo (não consigo entender que o A, neste seu longo texto, não tenha sentido a necessidade de criticar a criação e impacto do fundo na estrutura financeira da SAD, o que me pareceria especialmente adequado e oportuno), o A descarrega mais uma mentira absurda ao afirmar que as imparidades, se as houver, terão de ser integralmente suportadas pela SAD.
Isto é vergonhoso e, uma vez mais, revela um abuso doloso e intencional que o A faz da sua própria ignorância: ele demonstra desconhecer os princípios mais básicos do Código dos Valores Mobiliários (que impediria tal garantia), desconhecer o Regulamento do BSF (que é completamente transparente e gerido por uma entidade inatacável) e, finalmente, ser um descarado aldrabão.
Mas ainda há mais, mesmo sem sairmos do âmbito do fundo: o A escreve que o fundo obriga a SAD a “colocar no mercado” Atletas de cujos passes detém uma quota parte, o que constitui mais uma mentira deslavada.
Deve o A ser um jogador de FM, para usar expressões do tipo “colocar á venda” e/ou “colocar no mercado”.

Podem os Benfiquistas ficar tranquilos e absolutamente certos de que o BSF não compartilha só as “mais valias” que tem sido conseguidos com a venda de alguns Atletas (casos do Di, do Luiz e do Fábio) e também suportará, se e quando for o caso, os “prejuízos” (imparidades) resultantes de algum negócio menos feliz.
Quanto aos Atletas cujo contrato se aproxime do final, o que acontece é que, muito naturalmente, o Regulamento do fundo impede a SAD de recusar liminarmente qualquer oferta formal que receba por esse Atleta, mesmo que não a queira aceitar: nesse caso o BSF pode obrigar a SAD a recomprar a sua quota parte, pelo valor dessa oferta, saindo esse passe do fundo.

Em relação ao BSF, que é um exemplo de rigor e transparência á escala internacional, podem ter a certeza de que se trata de uma parceria (reforçada pelo facto de a SAD ser, ela própria, acionista do fundo) assente no melhor bom senso e na qual os 2 “sócios” contribuem com a sua parte: o fundo com os meios financeiros e a SAD com a sua capacidade para acrescentar valor aos “passes”.

Uma vez que já vai longa esta minha resposta, vou prescindir de abordar os tantos outros pontos que gostaria de criticar e, em vez disso, dirigir-me diretamente ao Autor.

Companheiro Bcool,

Espero que compreendas que esta minha resposta ao teu trabalho não só não tem nada de pessoal (como poderia, se nos não conhecemos), como constitui uma obrigação para quem nele identificou tantos pontos fracos, tal como espero não te ter desmotivado a voltar a escrever sobre estes temas, relativamente á importância dos quais estamos, aqui sim, inteiramente de acordo.

Mas, nota bem, quando o voltares a fazer, não te esqueças de ler os números com “óculos de técnico”. Caso voltes a usar esses “óculos de politico”, podes contar com nova resposta da minha parte e, nessa vez, já sem estes “punhos de renda”.

A terminar, permite-me algumas breves sugestões:
-quando te referires aos Nossos Atletas, não escamoteies as peculiaridades inerentes á respetiva gestão enquanto recursos humanos (que também são) e, sobretudo, não ignores que os respetivos direitos desportivos e económicos representam “Activos” que devem ser geridos como bens patrimoniais;
-também não deves usar expressões do tipo “altamente danosos” quando te referes a negócios de Atletas que ainda são do Glorioso, quer porque é desnecessário, porque é deselegante e porque … corres o risco de vir a ter de engolir alguns sapos;
-quando entenderes criticar a gestão desportiva da SAD, começa por citar a estratégia que foi aprovada (e sucessivamente reconfirmada) em Assembleia de Accionistas e que podes encontrar logo na abertura dos R&C;
- quando tiveres algum tempo disponível, consulta os “R&C” mais antigos da SAD, estuda-os e, depois disso, escreve um texto sobre a evolução (transformação ou revolução) registada, agradecendo a excelência dos resultados obtidos pela Administração;
- quando voltares a pensar que os Proveitos Operacionais da SAD já não podem crescer muito no quadro do “mercado interno”, imagina que eu te prometo que, em 3 anos, eles vão crescer mais 30ME (mínimo) e, se tiveres duvidas, promete a ti próprio regressar aqui, ao BELOVOAR, dentro de 3 anos, assumir que escolheste muito mal quando decidiste “agitar a bandeira da internacionalização” (sim, que o que escreveste a esse propósito não teve “sumo” algum), para indicar a prioridade do nosso crescimento.

Viva o Benfica!

P.S.: uma vez que estou impossibilitado (razões “informáticas”) de usar a caixa de comentários, uma eventual resposta a duvidas ou pedidos de esclarecimento de leitores, terá de ser objeto de um novo post.

Escrito por: José Albuquerque


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