quarta-feira, 4 de abril de 2012

REERGUER O BENFICA (II)



Reerguer o Benfica (II) ?

Começo por agradecer a todos(as) os(as) Companheiros(as) pelos seus comentários ao meu texto anterior com este titulo e, se me permitirem, em especial ao Enorme Carlos Alberto que, tendo percebido que eu o não poderia fazer, assumiu “a defesa e a resposta” a muitos de Vós.

Ainda mais em especial, chamo a Vossa atenção para o comentário do Companheiro Eagle02 (confesso que cheguei a assustar-me, ahahah) que passo a transcrever na sua parte essencial: “Doloroso nisto é a constante confirmação do quanto os Portugueses rejeitam a competência em favor da mistificação, desde que esta última lhes sirva o ego.”
Cito, em particular, este comentário, não só porque, infelizmente, creio que ele descreve com exatidão muitos dos outros (perdoem-me, mas não poderia mentir), mas também porque a vida recente do Nosso Clube, felizmente, lhe não tem dado razão, ou o Companheiro Vieira não teria sido reeleito por margens tão esmagadoras.

Mal ou bem, entendo que dos Vossos comentários resultaram 3 aspetos que exigem uma resposta da minha parte. Então, … aqui vai …

Da Gestão Desportiva

Como sabem e apesar de o texto do Companheiro Bcool se ter referido a este tema, foi assunto que eu entendi não abordar e por várias razões, a saber:
- porque considerava essencial concentrar-me na área económica e financeira da Gestão da Nossa SAD;
- porque o tema da Gestão Desportiva tem muito mais a “marca” do Nosso “Maestro” do que do Presidente eleito;
- porque esse tema (politica de aquisições, de vendas/dispensas e de empréstimos) já foi objeto de vários textos publicados aqui n’OBELOVOAR (alguns de minha autoria, outros do Enorme BT26) e, finalmente;
- porque nem sequer considero que o Bcool tenha escrito sobre o assunto de forma séria e integral; de facto, ele apenas discorreu, sem o mais leve sustentáculo económico, sobre o “número ideal” (como se tal coisa existisse) de “Atletas sob contrato” (esquecendo-se, por exemplo, dos vários Atletas juniores que temos nessa condição) e, na mesma base insustentada, apelidando de “altamente danosos” dois negócios que o não foram (Makukula e Yebda), mais uns quantos que, sendo relativos a Atletas ainda nos Nossos quadros, não podem nem sequer ser avaliados.

Que fique claro que eu não me sinto com competência para criticar (muito menos colocar em causa) a Gestão de Aquisições do Glorioso, pelo que me fiquei, nesses textos anteriores, por uma “leitura sistematizada” do que tem sido a realidade das derradeiras épocas.
Uma coisa posso garantir: a realidade tem correspondido a uma execução muito feliz e lucrativa da estratégia apresentada pelo Rui Costa numa AG de Acionistas (há cerca de 3 anos, creio), que está expressa nos “R&C” (dai eu ter chamado a atenção do Bcool para esse facto) e que tem vindo a ser progressivamente “afinada”.
Não deixa de ser interessante referir que, além dos textos já citados, me recordo de ler, no antigo GB (quando eu ainda visitava esse blog), um longo trabalho em que era sugerida uma politica de aquisições/empréstimos de jovens Atletas (vindos da “Fábrica” ou de fora) quase idêntica á que vem sendo seguida pelo “Maestro”, em que a fundamental diferença existente surge ao nível dos treinadores das equipas ás quais os Atletas são emprestados.

Há um aspeto muito simples que não podemos ignorar: não tendo o Clube capacidade para competir em termos salariais com a maioria dos clubes dos 5 principais campeonatos da europa (até por motivos fiscais), as contratações, nestes mercados e de Atletas de valor confirmado, continuarão a ser absolutamente excecionais (Aimar, Saviola, Nolito e Javi).
Assim sendo e além de a SAD se manter atenta para este tipo de oportunidades, resulta “obrigatório” que a principal fonte de recrutamento se verifique em jovens Atletas com potencial e nos mercados sul americanos (maioritariamente).
Naturalmente, este tipo de aquisições, por envolver menor investimento (custos, quer salariais, quer de amortizações), também lhe tem associado uma muito menor certeza de retorno desportivo e, por isso mesmo, obriga a multiplicar o número de Atletas contratados, apostando numa otimização dos resultados na fase final da respetiva formação.

Seria bom que ninguém esquecesse que, neste momento, estão sob contrato 6 Atletas vindos da “Fábrica” e que foram aceites pelo Stars Fund (com “lucro” para a SAD), a saber: David Simão, Leandro Pimenta, Miguel Vítor, Nelson Oliveira, Roderick Miranda e Yartey. A estes 6, 2 dos quais pertencem ao Plantel, ainda deveremos somar mais 2 (o Luís Martins e o Rúben Pinto) que estão a completar a sua formação tal como o próprio Nelson Oliveira.
Além destes 8 jovens Atletas (em breve o Vítor vai sair deste grupo etário), há bastantes mais produtos da “Fábrica” que estão sob contrato e que eu espero bem que o Bcool tenha incluído na tal lista de 68 a que se refere.
Finalmente, o que eu mais tenho lido nos Nossos blogues, quando algum Atleta vindo da formação prefere assinar contrato profissional com outros clubes (como eu gostava de ler uma solução que “obrigasse” esses casos a ficarem no Clube), são injúrias e impropérios ao Presidente.
Impropérios por isso e por não ter, na “janela” de janeiro, comprado mais 3 laterais (2 para a esquerda), um suplente para o Javi (porque o Matic não serve), outro para o Witsel (mas quem, quem?), outro para o Aimar e mais um para compensar a saída do Enzo (porque o Djalo nem comentários merece).

Para esses e eles são tantos, ou os tais 68 não são demais ou, mais espantoso ainda, a solução passa por “vendê-los” como se vender o passe de um qualquer Atleta (ou emprestá-lo) dependesse de uma simples decisão da SAD, quando se trata de um acordo que exige a participação de 3 partes: comprador, vendedor e … Atleta.

Democracia, critica e anti Vieirismo.

Muitos, muitos dos Vossos comentários, interrogam-se como podem existir opiniões tão divergentes como as que o Bcool e eu defendemos sobre um mesmo assunto – a situação económica e financeira do Grupo Benfica. Pelo meio dessas interrogações, afloram-se questões fundamentais como a do direito a criticar o Presidente e, até, um Nosso Valor Fundamental – a Democracia, que faz parte integrante da idiossincrasia do Benfica.

Perdoar-me-ão por eu evitar repetir o que escrevi e me ficar por uma simples afirmação: o Bcool tentou fundamentar as suas teses, essencialmente, em falsidades e essas falsidades ou correspondem a um resultado grosseiro de ignorância, ou correspondem a mentiras descaradas ou, ainda, resultam de uma interpretação ridiculamente enviesada (a ponto de se tornar cómica) dos números e factos.
Nestes termos, considerar que ele exerceu um direito á critica e que deu um contributo para a Democracia … não tem o mínimo cabimento, na minha humilde opinião.

Sobre a situação económica e financeira da Benfica SAD.

O Companheiro Vodka boy, pelos seus comentários, que agradeço, sugere-me as seguintes respostas:
- mas alguém pode ter duvidas de que constitui uma boa avaliação, por parte dos bancos, quer da gestão, quer da viabilidade, quando uma Empresa (qualquer que seja) tem crédito? Especialmente quando demonstra ter fácil acesso a crédito “sem garantias” especiais?
- são variados os elementos do Activo da SAD que estão subavaliados, mesmo além do conjunto de “passes” de Atletas e eu citei alguns casos (o parque desportivo, por exemplo), mas, por mero acaso, esqueci-me de referir o exemplo dos “direitos de exploração da Marca Benfica” que estará no Balanco por um valor de cerca de 10ME (um contrato por 50 anos, se me não falha a memória), talvez nem 5% do seu real valor;(*)
- Referes-te aos “prejuízos da SAD” e dizes que vês “… a situação a deteriorar-se de ano para ano …” o que me sugere que faz tempo que deixaste de acompanhar os Nossos “R&C”; ora toma nota, por favor …

Resultados Operacionais (todos os Proveitos, menos todos os Custos, incluindo amortizações e operações com passes de Atletas):
- exercício 2009/10 à (-) 11,3ME
- exercício 2010/11 à (+) 7,3ME
- exercício 2011/12 (1º semestre) à (+) 16,1ME

Estes números, eloquentes, demonstram que a Administração da SAD a transformou numa “poderosa máquina de fazer dinheiro” (capacidade de acrescentar valor), uma parte do qual, infelizmente, por ora e fruto de uma dependência de capitais alheios, ainda temos de “partilhar” (sob a forma de encargos financeiros pagos aos financiadores) com terceiros.
Ou seja e em síntese, a gestão da SAD consolidou uma elevada rentabilidade económica, rentabilidade essa que permite controlar (e ir reduzindo) o Passivo remunerado e fazer face aos encargos financeiros, mesmo neste período em que as taxas de juro sofreram um dramático aumento.

Conclusão.

Tal como venho afirmando (e comprovando com números) há uns anos e nos textos publicados a propósito dos sucessivos “R&C” da Nossa SAD, a Administração realizou um trabalho notável, partindo de uma situação inicial dificílima, conquistando uma credibilidade “á prova de balas”, multiplicando a capacidade de geração de Proveitos, executando um ambiciosíssimo Plano de Investimentos (nomeadamente no Parque Desportivo), valorizando exponencialmente o Quadro de Atletas (sobretudo de há ¾ anos a esta parte), o Grupo Empresarial e conseguindo manter um nível de custos bastante baixo, mesmo sem poder contar com aquele que deveria ser o mais significativo dos seus Proveitos – a venda dos direitos de televisão !

Não, Companheiro Vodka boy! Não “temos sido ajudados pelos Bancos”: temos-lhes dado muito dinheiro a ganhar e temos-lhes provado que somos um Clube (e um Grupo Empresarial) liderado por Gestores competentes e Homens de Palavra.

Isso sim!

Viva o Benfica!

P.S.: quanto aos resultados desportivos por todos reclamados (títulos), eu “acradito” que, nesta década em que começámos Campeões, voltaremos ao Marquês por mais (mínimo) 5 vezes, que nos 4 anos em que “faltarmos” seremos 3 vezes vice-campeões e que nunca ficaremos a mais de 10/12 pontos do topo da tabela; ou seja … o Benfica vai reconquistar a liderança indiscutível do futebol nacional.

(*) O facto de um Activo (a Catedral, por exemplo) não ser comercializável não obriga a que ele “não tenha valor” (quando muito, torna difícil atribuir-lhe um preço). Há muito tempo que os economistas resolveram esse problema e com métodos alternativos: (1) o valor atual dos “cash flow” futuros (Proveitos menos Custos) por ele gerados, ou (2) o respetivo valor de substituição (custo de aquisição de um bem alternativo), entre outros
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Escrito por: José Albuquerque
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Nota da Administração: Ler aqui: ... REERGUER O BENFICA ( I ) ... e consequentes comentários...

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