quinta-feira, 28 de julho de 2011

O desperdício de recursos no futebol profissional (Parte I).


O Companheiro Bagão Félix entendeu ser oportuno, pelo período que a economia mundial vai continuar a atravessar e pelo cenário com que teremos de viver em Portugal, alertar os seus leitores para o absurdo desperdício de recursos que se verifica na chamada “indústria do futebol” e eu, mesmo sem necessitar de invocar a crise como circunstância, aplaudo efusivamente a mensagem e vou tentar amplificá-la, sublinhando alguns aspectos que me parecem não poderem continuar a passar “despercebidos”.

Que todos ficamos chocados com alguns números muito gordos que são citados a propósito de transferências, já não só de atletas, de remunerações e de receitas e despesas de algumas competições de futebol, com crise ou sem crise, tem de ser uma unanimidade, neste mundo em que a subnutrição crónica continua a condenar milhões de seres humanos a uma cidadania menor.
Que a esmagadora maioria dos agentes intervenientes na “indústria” não têm a competência, nem o interesse, para exercerem uma gestão mais eficiente dos recursos disponíveis e que todos beneficiariam se esse quadro fosse modificado, também me parece de uma evidencia indiscutível. E, finalmente, que um Benfiquista apele a um esforço de auto-regulação e sugira que o Nosso Clube aceite a responsabilidade que decorre de ser O Maior Clube do Mundo e continue a dar um exemplo de liderança, só me merece o profundo respeito do qual continuo a considerar que este Nosso Companheiro é merecedor.

Mas …

Em primeiro lugar, não me parece correcto que, abordando o tema, não se destaque que o Benfica tem sido um excelente exemplo que, uma vez multiplicado, já teria tido, seguramente, consequências objectivas no Desporto em geral e no futebol em particular, por agora e obviamente, ainda a uma escala nacional.
Bem sei que esta opinião é pessoal e discutível: para não me alongar pelo que seria uma repetição dos vários textos em que fiz sucintas análises aos Nossos “R&C”, proponho que a “prova” seja dada (1) pela ausência de “roubos” conseguidos em leilão competitivo, (2) pelo continuo investimento nos fundamentos desportivos fora do futebol e (3) pela diversificação da intervenção social do Nosso Grupo, desde a Fundação ao Museu, passando pela BTV e pelas Casas.

Em segundo lugar e ainda mais importante, não me parece correcto que, abordando o tema, não se destaque o que de mais grave vai acontecendo e que, com tremendos riscos e ameaças á Verdade Desportiva, faz com que quase esteja esquecido que, falando de futebol, estamos a falar de Desporto (de alto rendimento, claro, mas Desporto).
O impacto actual do futebol na sociedade, já a uma escala global (ou, talvez, a uma escala de “globatinol”) e de mãos dadas com o “quarto poder”, sugerindo uma definitiva transformação industrial, parece-me bem mais preocupante do que qualquer despesismo ou entropia da gestão.

A própria promiscuidade entre o futebol e uma certa “politica”, me parece bem mais grave. Mais e pior, a aparente vitória da indústria das apostas na caracterização, no financiamento e no desenvolvimento da indústria do futebol, num processo claramente favorecido pela FIFA, essa sim, estou convicto que já é e ainda mais será, a maior e mais determinante ameaça … a ponto de fazer prosseguir a transformação do Desporto em “Indústria” até á condição de … circo.
Omitir estas ameaças (não serão já realidades?), o vergonhoso exemplo despesista (e pior) dado pela maioria das instituições desportivas supranacionais (nem o COI escapa), a promiscuidade com os “anti valores” e a falta de transparência permitida (apoiada e aplaudida?) pelos Estados nacionais e pelos seus organismos multilaterais, parece-me … um desperdício.

Não quero terminar sem prometer aos frequentadores d’OBELOVOAR que, em breve, chegará a oportunidade para abordar o tema dos projectos do Platini para “regular a concorrência financeira” entre os clubes que participem nas competições da UEFA. O tema fica “na calha”, mesmo que eu não acredite que seja pertinente (quem, o Platini? Aquele mesmo que …, não me parece nem que ele queira fazer, muito menos que venha a fazer).

Viva o Benfica!

Escrito por; PEDRO ÁLVARES CABRAL/JOSÉ ALBUQUERQUE

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