terça-feira, 10 de março de 2026
Primeiro complica-se, depois logo se vê
Há equipas que tentam resolver os jogos cedo. O Benfica prefere um método mais artístico: primeiro complica, depois corre atrás do prejuízo e, se tudo correr bem, ainda arranca qualquer coisa no fim. Foi mais ou menos esse o plano contra o Porto.
O onze inicial já levantava algumas sobrancelhas. A dupla Enzo Barrenechea / Richard Ríos no meio-campo é sempre um exercício de fé. Sabemos que há qualidade ali, algures, o problema é encontrá-la quando do outro lado está uma equipa que joga a um ritmo que parece ligeiramente mais rápido do que o Benfica costuma apreciar.
Ainda assim, o jogo até começou com uma oportunidade perfeita para mudar a narrativa. Bola recuperada logo no início e um dois para um contra a defesa portista. Era o tipo de lance que nos faz pensar: “pronto, hoje entrámos bem”. Rafa, porém, decidiu acrescentar um pouco de suspense. Mais um toque, depois outro, talvez para avaliar melhor o relvado… e quando finalmente pensou em passar a bola, a defesa do Porto já tinha voltado ao sítio. O lance morreu ali, como tantos outros esta época.
O Porto agradeceu a gentileza e respondeu com pragmatismo. O primeiro golo foi uma pequena tragédia em cadeia. Uma subida intempestiva do Otamendi, ninguém compensa, auto-estrada nas costas, Froholdt remata e Trubin defende para a frente com aquela generosidade que caracteriza os grandes anfitriões, directamente para os pés do mesmo Froholdt. Resultado: recarga e golo. Um verdadeiro trabalho de equipa e a impressão de que já tínhamos visto este filme várias vezes esta temporada.
O segundo golo foi ainda mais simples. O Benfica todo lançado para a frente, talvez convencido de que o Porto iria respeitosamente esperar que a jogada terminasse. Não esperou. Um passe longo, um jogador completamente sozinho na direita, uma corrida tranquila até à área e finalização sem grande oposição. Dois a zero e a sensação de que o jogo estava resolvido e que podíamos estar perante uma daquelas noites que parecem não ter fim.
O Benfica tinha a bola e boas intenções, mas ao intervalo a vantagem portista não surpreendia ninguém.
A segunda parte começou sem alterações, o que, perante ao que se tinha assistido na primeiro parte, foi no mínimo uma surpresa. Mas eis que finalmente alguém se lembrou de que estávamos a perder e que talvez fosse conveniente fazer qualquer coisa.
Entraram Ivanovic, Lukebakio e Barreiro, que trouxe ao meio-campo algo exótico chamado organização. Quatro minutos depois, remate ao poste, recarga e golo e a Luz voltou a respirar.
A partir daí o Benfica empurrou o Porto para trás, assumiu mais riscos e o jogo entrou naquele mood do tudo pode acontecer. Cada ataque do Benfica trazia esperança, cada contra-ataque portista parecia capaz de nos provocar um ataque cardíaco colectivo.
Mas o empate chegou mesmo a dois minutos do fim. Jogada rápida pela direita, cruzamento de primeira de Ivanovic e finalização também de primeira de Barreiro. Tudo muito simples, directo e eficaz e curiosamente exactamente o tipo de futebol que o Benfica demorou cerca de 88 minutos a experimentar.
E de repente a vitória parecia possível. Mas como o futebol português nunca resiste a um pouco de drama extra, uma confusão junto aos bancos quebrou completamente o ritmo de jogo e os seis minutos de compensação, cortesia do artista vestido de preto, fizeram o resto. Pelo meio ainda houve um penálti que o árbitro e o VAR decidiram ignorar e a confirmação de que, cá no burgo, o drama vale mais do que as regras.
No fim, o FC Porto não festejou título nenhum na Luz, é verdade, mas também não saiu propriamente preocupado. Já o Benfica saiu com aquele sentimento familiar de oportunidade perdida e a vaga ideia de que talvez fosse útil começar os jogos um pouco antes do minuto 70.
Porque há padrões que se repetem com uma consistência quase científica: metade do jogo a complicar, a outra metade a correr atrás do prejuízo.
É uma abordagem interessante, sem dúvida, mas infelizmente não costuma ser muito eficaz quando o objectivo é ganhar campeonatos.
Uma nota final para a cereja no topo do bolo que foi a conferência pós-jogo do Mourinho. Mas essa parte do espetáculo deixo para o meu ilustre colega Paulo Santos, que certamente terá muito a acrescentar com perspicácia que lhe é característica.
domingo, 8 de março de 2026
Benfica vs Porto - Liga Betclic - 25ª Jornada.
Benfica 2 * 2 Porto
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BENFICA: Trubin; Dedic, Tomás Araújo, Otamendi e Dahl; Barrenechea e Ríos; Prestianni, Schjelderup e Rafa; Pavlidis.
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Suplentes do Benfica: Samuel Soares; António Silva, Bah, Lukebakio, Sudakov, Ivanovic, Manu Silva, Barreiro e Anísio Cabral.
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PORTO: Diogo Costa; Alberto Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Martim Fernandes, Alan Varela, Victor Froholdt, Gabri Veiga, Pepê, Oskar Pietuszewski e Deniz Gül.
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Suplentes do FC Porto: Cláudio Ramos; Thiago Silva, Francisco Moura, Pablo Rosario, Seko Fofana, Rodrigo Mora, William Gomes, Borja Sainz e Terem Moffi.
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Carrega Benfica
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sexta-feira, 6 de março de 2026
Génesis da Bola
No princípio era o verbo…
Mas não era nada…era só para nos distrair, para ver se estávamos atentos!
No princípio era o futebol.
Ainda não havia linhas nem redes,
e já a bola flutuava sobre o nada.
E o primeiro som não foi palavra nenhuma!
O que se ouviu, foi algo mais simples e puro.
O couro a ceder sob o pé,
um estalo que acordou o vazio
e pôs o mundo a mexer.
E do espaço profundo, com ar de estrela que nunca cai, o craque decretou:
— Faça-se o jogo!
E o jogo fez-se.
Separou-se a defesa do ataque.
Chamou-se “golo” à luz e às trevas “autocarro estacionado”.
E viu-se que era bom. Era estranho mas bonito.
Embora não faltasse o visionário de sempre:
— Isto assim não vamos lá, pá… Isto vai dar confusão, já vos digo…
No segundo dia criou-se o drible,
Arte fina e traiçoeira, capaz de deixar o adversário a pedir um GPS para recuperar a dignidade.
E com essa proeza divina que até os anjos aplaudiram, o povo rendeu-se
e o primeiro “olé” rebentou nas bancadas como tempestade sideral.
No terceiro dia nasceram as
claques,
Multidões de cachecóis erguidos ao céu,
A transformar estádios em catedrais e bandeiras em mantos sagrados.
E no meio do fumo e dos cânticos alguém a berrar:
— Ó árbitro, abre os olhos, pá! Estás a gozar? Isso foi falta, até no Google Maps se viu!
No quarto dia surgiu o número 10,
E nos seus pés habitava a esperança.
Distribuía passes como quem espalha bênçãos.
E consoante o acerto ou o desacerto, ouvia-se:
- Isto é que é futebol champanhe!
- Ó artista, isto não é PlayStation!
No quinto dia inventou-se o golo nos descontos,
E quando já toda a gente dizia: já foste!
Saltaram cervejas e voaram bifanas,
A malta que já saía voltou para trás,
E entre abraços a desconhecidos transformados em irmãos,
Gritou-se com fé renovada:
- Estava escrito!
Mas também se criou o VAR.
E fez-se silêncio. Olhos
postos no ecrã. Mãos na cabeça.
Frames intermináveis, linhas traçadas como gráficos de laboratório
Ombro ou sovaco? Unha ou chuteira?
E o povo, dividido entre a fé e a impaciência, dizia:
- Mas isto agora é engenharia aeroespacial? Porra, decide lá isso!
E viu-se que era fora de jogo por um átomo de ambição esquiva.
E metade assinou de cruz. A outra metade jurou que era conspiração.
No sexto dia, os deuses olharam e disseram, falta-lhe emoção!
E assim se forjaram os dérbis e os clássicos,
E com eles rivalidades eternas, nervos à flor da pele, discussões que duram
semanas, redes a arder.
E sobre todos pairou a lei sagrada do futebol:
- Para o ano é que é!
E ao sétimo dia… ninguém descansou.
Porque no futebol não há repouso,
há prolongamentos e penáltis,
e conferências de imprensa analisadas como se fossem cartas do além.
E assim ficou escrito:
Enquanto houver uma bola a rolar,
haverá magia na relva,
e cada remate será um acto de criação.
Porque no princípio era o futebol.
E o no Domingo...bem, no Domingo, logo se vê….
terça-feira, 3 de março de 2026
O Penálti Ontológico
O futebol português já não é apenas futebol. É uma experiência metafísica transmitida em HD numa interpretação contínua da realidade. O relvado fornece a matéria-prima e a verdade nasce a posteriori naquele santuário tecnológico onde residem os guardiões do critério. Ali, o VAR não decide apenas lances, decide sobre as infinitas possibilidades do multiverso.
E foi precisamente neste contexto que, no jogo entre o FCP e o FC Arouca, fomos brindados com um momento delicioso em que um pontapé se transformou numa saga quixotesca.
Não falamos de um roçar poético nem de uma brisa outonal. Falamos de um valente pontapé, daqueles que ensinam anatomia em tempo real. Um diálogo directo entre chuteira e tornozelo, no qual o segundo foi diplomaticamente persuadido reconsiderar a sua permanência naquele ponto específico do universo.
O árbitro, mestre das interpretações, decidiu que era penálti a favor do FCP.
Na sala do VAR, entre cabos HDMI e repetições infinitas, e perante a possibilidade de um milagre conceptual, materializaram-se duas figuras convocadas em regime de urgência: Isaac Newton e Franz Kafka.
Newton foi o primeiro a falar.
— Meus senhores, isto é simples. Acção e reacção. Força aplicada, deslocamento resultante. Não há espaço para interpretações.
O VAR, com voz serena e institucional, respondeu:
— Agradecemos o contributo, senhor Newton. No entanto, após análise detalhada, concluímos que o tornozelo iniciou o contacto.
Newton franziu o sobrolho.
— Iniciou?! O tornozelo?! Está a sugerir que a reacção precedeu a acção?
— Não precedeu — esclareceu o VAR. — Coincidiu ontologicamente.
Newton levou as mãos à cabeça..
— Isso subverte a física!!!
— Não subverte — corrigiu o VAR — apenas a actualiza.
Kafka, que até então tomava notas silenciosamente, interveio com um leve sorriso.
— Meu caro Newton, não estamos perante uma questão de física, mas de procedimento. Aqui, o tornozelo não é julgado pelo que fez, mas pela sua presença inconveniente. O seu erro foi estar ali quando a chuteira passou. No processo, a explicação não é necessária porque o sistema não se explica, valida-se. A decisão não precisa de convencer, precisa apenas de existir.
— Correcto — confirmou o VAR — A análise considerou o enquadramento global do lance. O protocolo foi cumprido.
Houve então um breve silêncio, interrompido apenas pelo som da repetição do lance em 12K.
Newton aproximou-se do ecrã, apontando com o dedo:
— Mas o pé atinge claramente o tornozelo!!
O VAR ampliou a imagem.
— Ou talvez o tornozelo tenha decidido aproximar-se do pé — replicou o VAR,,impassível — A análise é multidimensional.
Kafka fechou o caderno, satisfeito.
— É sabido que a clareza dos factos nunca garantiu clareza do veredicto. Não se discute intenção, nem mecânica. Discute-se posição. A culpa não nasce do acto em si, mas da circunstância. E a circunstância é soberana. A realidade não é negada, é reinterpretada até colaborar.
Newton resignado, declarou.
— Peço formalmente férias. As minhas leis não estão preparadas para este campeonato.
— Pedido registado — respondeu o VAR. — Será analisado após verificação protocolar.
Lá fora, o penálti foi convertido. O jogo seguiu. O resultado ficou.
O tornozelo, esse, aprendeu que, em Portugal, ser atingido não significa ter direitos.
E o VAR reafirmou a sua natureza metafísica: não corrige a realidade, reconfigura-a.
segunda-feira, 2 de março de 2026
Gil Vicente vs Benfica - Liga Betclic - 24ª Jornada.
Equipa de arbitragem
Árbitro.- João Gonçalves ( AF Porto )
Árbitros assistentes:- Pedro Ribeiro, Miguel Martins
4º árbitro:- Vítor Lopes
VAR/AVAR:- Tiago Martins, Pedro Felisberto
Delegados:- Ricardo Soares, Nuno Amaral
Observador:- João Esteves
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
E DEPOIS DO ADEUS...À CHAMPIONS ?
E no Clube, continuamos a emitir Comunicados fofinhos. Nada de pedidos obrigatórios de desculpas, a quem mente, descarada e diariamente, para prejudicar o Benfica.
Portanto está tudo normal. Cada macaco está no seu galho...Um até já foi solto, e tem um penteado diferente. Só o vi parado, não sei se o andar e a ginga se mantém.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Real Madrid vs Benfica - playoff da Liga dos Campeões - 2º jogo.
Slavko Vincic, Esloveno, vai ser o árbitro do jogo entre Real Madrid e Benfica, para a segunda mão do playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, que decorre esta quarta-feira, às 20h, no Santiago Bernabéu.
A informação foi esta segunda-feira divulgada pela UEFA, indicando Vincic para o encontro em Madrid, no qual contará com os assistentes Tomaz Klancknic e Andraz Kovacic, e o alemão Christian Dingert como videoárbitro, coadjuvado pelo italiano Daniele Chiffi.
Constituição das equipas:
REAL MADRID: Courtois, Arnold, Asencio, Rudiger e Carreras; Valverde, Tchouaméni e Camavinga; Arda Guler, Gonzalo García e Vini Júnior.
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Suplentes do Real Madrid: Lunin, Carvajal, Alaba, Fran García, Fran González, Brahim Díaz, Mendy, Mastantuono, Cestero, Manuel Ángel, Palacios e Thiago.
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BENFICA: Trubin, Dedic, Tomás Araújo, Otamendi, Dahl, Aursnes, Ríos, Rafa, Barreiro, Schjelderup e Pavlidis.
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Suplentes do Benfica: Samuel Soares, Diogo Ferreira, António Silva, Barrenechea, Bah, Ivanovic, Sudakov, Lukébakio, Sidny Cabral, Manu Silva, José Neto e Anísio Cabral.
Constituição das equipas:
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Justiça à Venda
Isto é uma vergonha absoluta!
A UEFA decidiu suspender o Prestianni antes de provar qualquer culpa.
Isto não é justiça, é um linchamento. É ceder à histeria, é querer mostrar força bruta à custa de um miúdo. A presunção de inocência não é um capricho jurídico, é um pilar básico de qualquer sociedade minimamente civilizada que não pode ser tratada como um detalhe administrativo que se ignora quando dá jeito.
O elefante na sala é óbvio. A UEFA só olha para o próprio umbigo, protegendo os poderosos, vergando-se ao dinheiro enquanto faz ouvidos moucos aos princípios que jura defender.
Combater o racismo exige seriedade absoluta.
Esta decisão não combate o racismo, banaliza-o. Transforma uma causa nobre num instrumento de conveniência.
É um ultraje a quem sentiu e continua a sentir o racismo na pele, a quem o enfrenta todos os dias e a todos os que morreram a lutar contra ele.
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Benfica vs Afs - Liga betclic - 23ª Jornada.
Miguel Fonseca, árbitro da AF Porto, foi nomeado pelo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol para apitar o Benfica-AFS da 23.ª jornada da Liga Betclic. O jogo disputa-se no Estádio da Luz às 18h00 de sábado, 21 de fevereiro.
O juiz do encontro vai ter João Martins e David Soares como assistentes e Hélder Malheiro no papel de quarto árbitro.
O videoárbitro (VAR) será Paulo Barradas, e o assistente (AVAR) Rui Cidade.
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BENFICA: Trubin, Bah, António Silva, Otamendi, José Neto, Richard Ríos, Enzo Barrenechea, Sidny Cabral, Rafa, Schjelderup, Pavlidis.
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SUPLENTES BENFICA: Diogo Ferreira, Franjo Ivanovic, Lukébakio, Amar Dedic, Leandro Barreiro, Samuel Dahl, Tomás Araújo, Diogo Prioste, Anísio Cabral.
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AVS: Adriel, Paulo Lima, Devenish, Mateus Francisco, Roni Moura, Diego Garcete, Leonardo Conge, Angel Algobia, Gustavo Mendonça, Babatunde Akinsola e Tomané.
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SUPLENTES AVS: Simão, Guilhem, Oscar Abonce, Nenê, Tiago Hernandes, Guilherme Silva, Kiki Afonso, Aderllan e Rúben Semedo.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Entre a verdade, a narrativa e a responsabilidade institucional
Como seria de esperar, o caso que envolve Vinícius e o Prestianni rapidamente ultrapassou o plano desportivo e entrou no domínio mediático. No meio de comunicados, declarações e versões contraditórias, parece-me evidente que alguém não está a dizer toda a verdade.
Se realmente existiu um insulto racista, estamos perante algo de extrema gravidade. O racismo não é uma “picardia de jogo”, é crime, é indigno e deve ser punido sem contemplações. Existe, porém, um princípio básico, por mais sensível que seja o tema, que não pode ser ignorado: para punir, é preciso provar. Sem prova não pode haver condenação formal. Isto não é relativizar o racismo, é respeitar princípios elementares de justiça.
E é aqui, como se costuma dizer, que a porca começa a torcer o rabo.
Em campo há tensão, provocações e palavras que passam despercebidas, ou não, e os jogadores podem optar por não reagir de imediato e apenas quando sentem que se ultrapassou um limite. Nada de errado aqui, todavia, quando a narrativa é elíptica, é legítimo questionar a consistência dos factos relatados.
O Mbappé diz que ouviu cinco vezes o insulto. Cinco vezes?! Ele estava a jogar futebol ou a fazer teste de audiometria no meio do estádio?
O Valverde diz que o facto de o Prestinai tapar a boca, incrimina-o. Ah claro, porque tapar a boca é basicamente o equivalente jurídico a assinar uma confissão! Então e sobre os treinos de UFC, nada?
O Prestiani veio dizer é tudo mentira e que tapar a boca é normal Nós sabemos, miúdo! Só falta vir no regulamento da UEFA: “Artigo 14.º – conversas estratégicas devem ser sussurradas"
O Vinicius, ao contrário do Prestiani, tinha a boca bem visível, embora ninguém pareça interessado em saber o que terá dito. Portanto, boca tapada é suspeito, boca destapada é invisível. O Schrödinger não faria melhor. Mas é justo reconhecer que o pirralho é artista, seja pelos golos que marca seja pela queda inegável para o teatro!
O Arbeola está com o Vinicius até à morte. Até à morte no futebol dura quanto tempo mesmo? Até à próxima birra do Vinicius por ser substituído? Cuidado, o Florentino já pôs os patins a outros por menos.
O Mourinho releva o facto de o Vinicius ser useiro e vezeiro neste género de situações e de árbitro ter um papelinho no bolso. Mister, Mister, nós sabemos que já por lá andou mas, veja lá, o tempo das fogueiras já acabou mas há sempre quem esteja disposto a acender uma.
O Benfica publica um vídeo a evidenciar a distância a que os jogadores do Real Madrid estavam dos acontecimentos. Alguém anda a ver muito CSI, mas Grissmon há só um.
E entre televisões, jornais e redes sociais, é um verdadeiro pandemónio. Pandemónio? Algoritmo, não sei porquê, soa-me melhor
Naturalmente, as dúvidas geradas por versões contraditórias não apagam a gravidade de uma possível ofensa racista. Combater o racismo é um dever absoluto, ponto. No entanto, quando o debate é selectivo, a parcialidade é inevitável, a manipulação domina, os conceitos confundem-se e, por conseguinte, o caos instala-se.
No que me diz respeito, e tentando alhear-me de toda esta histeria, quando as versões não encaixam, o único caminho sério é investigar. E neste contexto o bom senso das instituições é preponderante.
A UEFA, bem a UEFA é a UEFA, e fico-me por aqui. O Real Madrid, por seu lado, assumiu de imediato uma defesa pública inequívoca do Vinicius suportado não sei bem em quê. Mas o Real Madrid não me interessa nada, interessa-me o Benfica, que falhou em toda a linha.
O Benfica tinha uma oportunidade clara de demonstrar maturidade institucional. E teria sido muito simples, bastaria dizer, “Vamos abrir um inquérito interno para apurar exactamente o que aconteceu.” Esta postura não seria uma admissão de culpa, seria um sinal de responsabilidade e transparência que se traduz em credibilidade. Defender um jogador não implica atacar automaticamente o adversário. Defender algo/alguém implica, antes de tudo, querer saber a verdade.
Ao optar por uma reacção combativa visando os jogadores do Real Madrid, o Benfica alimenta a narrativa quando o momento exigia serenidade esquecendo-se que num tema desta complexidade, a prudência não é sinónimo de fraqueza, mas sim de inteligência. E no fim, se houve racismo, que se puna exemplarmente. Se não houve, que se diga com a mesma clareza.
Mas o Benfica, como o Paulo Santos evidenciou num comentário à publicação anterior, repetiu os erros de sempre: reage emocionalmente em vez de estrategicamente, comunica mensagens contraditórias que não só resultam numa exposição desnecessária do clube como perpetuam o debate público com consequências nefastas, onde a verdade é sempre a primeira vítima.
Comunicar bem não é opcional, é uma ferramenta essencial de gestão. Uma ponte entre quem decide e quem nunca abandona. É o que nos mantém unidos nos momentos difíceis e nos faz ainda mais fortes nas vitórias.
Por favor, Benfica, ouve a tua gente!

