segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Que estranha forma de Amar o Benfica!


Sou Benfiquista desde que me lembro, mesmo sendo filho de um Sportinguista e está a fazer meio século a mais antiga memória que tenho do meu Benfiquismo, numa estória que, claro, tinha de envolver dor: eu estava a jogar à bola, com soldados, numa parada e deveria estar a fazer alguma marcação, tipo “homem” a homem, por trás do adversário (?!), marcação bem cerrada, a ponto de ter levado com o tacão da cardada na boca, quando o militar levantou o pé!

O resultado disto, além de (devem ter sido) muitas lágrimas, os dois incisivos, ainda de leite, (da frente e de cima) a demitirem-se e um grupo de militares aflitos (imaginem … o Filho do Comandante!), é, nem mais nem menos, essa minha primeira memória de Benfiquista; foi aí, que aprendi que uma “papoila saltitante” pode, até, chorar, mas, por Amor ao Glorioso, resiste além dos seus aparentes limites.

A segunda memória mais antiga, essa está ligada ao relato de uma das finais da Taça dos Campeões Europeus (não consigo precisar qual delas), relato escutado em Família, no norte de Angola, no meio do que era, naquela altura, uma guerra e hoje é um mar de pipelines. Um relato, imaginem, escutado em Francês, numa rádio de um dos dois congos e, por isso, algo em que eu só percebia os nomes dos nossos Enormes e em que aprendi o significado de … BUT!

Lembro-me bem que o meu Pai teve de sair de casa, à pressa, logo que acabou o desafio, para estancar os festejos (eram muitas as “Mauser” que gritavam) que poderiam pôr em risco as vidas de todos nós: à época ele era “verde” duas vezes (porque era verde e porque ainda não sabia que, quando jogava o Glorioso … havia Paz)!

Antes de vos maçar com mais destas minhas mais antigas recordações de Benfiquismo, salto já para a conclusão que quero confessar: este meu Amor ao nosso Clube, tenho-o associado, desde as raízes, à dor física, à disciplina mais castrense e, até, à tortura psicológica que substitui a Paz. Ou seja, Companheiros, o meu Benfiquismo formou-se entre momentos que me obrigaram a levá-lo … completamente a sério!

Talvez seja por isso mesmo que eu sinto o meu Benfiquismo, sempre, mas sempre mesmo, como indissociável dos mais nobres Valores que os Homens são capazes de partilhar. A Solidariedade, por oposição ao egoísmo individualista e por respeito a todos os indivíduos. A Universalidade, por contradição com os sectarismos, quaisquer que sejam e qualquer que seja a sua origem. A Honestidade, traduzida pela Verdade Desportiva e pela frase “Glória aos Vencedores e Honra aos Vencidos”. O Desportivismo de quem busca vencer os seus próprios limites, antes e mais que vencer os adversários. A Portugalidade, esse cenário cultural com que, Historicamente, nos “globalizamos” muitos séculos antes de haver o Benfica (por isso ele nasceu), que lhe deu a génese e da qual ele constitui o símbolo maior, entre tantos outros Valores.

Tem tanto de Paixão, como é intelectualmente assumido, este meu Amor: por isso é uma Fé (é a minha Fé)! Por isso o meu Benfiquismo é uma Enorme Superioridade Moral!

O meu Benfiquismo não tem, absolutamente, nenhuma carga negativa: não é contra nada nem ninguém, excepto aquilo que represente o negativo e os seus “anti-valores”. O meu Orgulho Benfiquista nunca se justificou a arremessar aos outros as nossas Vitórias e ninguém, nunca, me “devolveu” nada quando não vencemos. A maioria dos anti-benfiquistas merecem-me pena e a minoria faz-me sorrir, pela sua pobreza de espírito: todos me são pouco mais que indiferentes.

Já com os “anti-valores” a coisa fia mais fino e, mesmo nesta idade, não deixo de os combater, seja onde for e especialmente quando posso fazê-lo com o meu Benfiquismo, afirmando-o, que é a mais poderosa arma que conheço para os combater.

Quando me falam de “calabotes”, de “salazares”, de “estorilgates” e de “colos”, respondo com uma de duas: ou com o silêncio dos inocentes, ou com a força da razão, é conforme eles o … mereçam.
Amo as Vitórias, bem mais do que não gosto quando não ganhamos: a Mística exige-nos que tudo façamos pelas primeiras e detesto sentir que não conseguimos evitar as segundas. As nossas Vitórias são (têm de ser) a afirmação dos Valores Benfiquistas e, de há umas décadas a esta parte, a maioria das não vitórias têm sido impostas pelos “anti-valores”, pela lama mais imunda, pelo que só levantam, dentro de mim e da minha Fé, a disciplina determinada de quem sabe o que quer, de quem acredita no que pensa e de quem sente, desta estranha forma, o Benfiquismo.

E a tão natural “Glória aos Vencedores, Honra aos Vencidos”, tem sido substituída, indecentemente, pela “Honra e Glória aos que não conseguiram, desta vez, ultrapassar a infâmia”, ou, como nesta Gloriosa noite, pela “ Vivam os Vencedores que souberam afirmar-se sobre os que, em vez de valores, preferem a ignomínia”

Estranha, muito estranha (?) esta minha forma de Amar o Glorioso. Alguém me explica?

Viva o Benfica!

Texto escrito por: José Albuquerque

NOTA: Escrito antes do jogo, Benfica-Porto

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