Antes de anunciar a minha previsão para os resultados finais
deste último exercício, importa recordar qual foi a evolução mais recente que
podemos deduzir dos diversos comunicados oficiais remetidos á CMVM.
Assim e partindo de uma situação inicial com Capitais
Próprios (CP) de 2,4ME positivos, decorrentes da diferença entre um Activo
liquido de 382ME e um Passivo total de 379,6ME, a SAD comunicou os
seguintes resultados:
30/9/2011 31/12/2011 31/3/2012A
Proveitos Operacionais
26,4
50,2 74,8
Custos Operacionais (21,2) (42,7) (64,1)
C (=A+B) Resultado Op. 5,3 7,5 10,7
Operações c/ Atletas
D) Proveitos 20,5 23,0 24,8
E) Amortizações (7,1) (14,4) (20,9)
F (=D+E) Resultados c/ Atletas 13,4 8,6 3,9
G (=C+F) Resultados Op. Totais 18,6 16,1 14,6
Operações Financeiras
H) Proveitos 1,4 2,8 4,6
I) Custos (5,0) (10,5) (16,7)
J (=H+I) Resultados Financeiros (3,6) (7,7) (12,1)
L (=G+J) Resultados Líquidos 15,0 8,4 2,5
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Legenda: Valores em 10^6
euro (milhões de euro)
Valores ‘negativos’ entre parêntesis
Notas explicativas:
Os valores estão apresentados numa ótica de acumulação, ou
seja: a primeira coluna (30/9/2011) refere-se a 3 meses de exploração (Julho a
setembro), a segunda coluna (31/12/2011) refere-se a 6 meses (de julho a
dezembro) e a terceira coluna (31/3/2012) refere-se aos 9 meses entre julho de
2011 e Março de 2012.
A) Proveitos Operacionais – nesta rubrica incluem-se todos
os Proveitos (recordem-se que eles não são, exatamente, a mesma coisa que
‘Receitas’) correntes como publicidade (sponsors), bilhética, prémios da UEFA,
direitos de TV, etc., ou seja: todos os Proveitos exceto os que resultem de
operações com ‘Passes’ de Atletas (que aparecem na rubrica D) e os Proveitos
financeiros (que aparecem na rubrica H)
B) Custos Operacionais – onde se incluem todos os custos
correntes (não confundir com ‘Despesas’) tais como serviços de terceiros,
salários (Atletas incluídos), amortizações do Activo (exceto ‘Passes’ de
Atletas), etc., mas não se incluem os Custos Financeiros (que aparecem na
rubrica I)
C) (=A+B) Resultado Operacional – a soma algébrica entre os
Proveitos (positivos) e os Custos (negativos) Operacionais (ou, se preferirem,
a diferença entre os primeiros e os segundos), numa média trimestral de 3,7ME
D) Proveitos com operações sobre ‘Passes’ de Atletas – nesta
rubrica aparecem (1) as ‘mais valias’ resultantes da venda de
‘Passes’, (2) as compensações negociadas (se as houver) pelos
empréstimos de Atletas a outros clubes e (3) os ‘pro rata’
decorrentes das ‘vendas’ de partes de ‘Passes’ ao Benfica Stars Fundo (BSF).
Concretamente e tentando discriminar aqueles 20,5ME apresentados no final do
primeiro trimestre, passo a especular as seguintes parcelas:
1.1. Venda do Fábio (uma ‘receita’ de 30ME, a
escalonar no tempo) – deduzida a comissão pela venda (creio que esta rubrica se
constrói ‘liquida de comissões’, mas não posso garantir), retirada a quota
parte detida pelo BSF e “descontado’ o valor de balanço (VB) do ‘Passe’ (a
diferença é que produz a ‘mais valia’ e o inerente Proveito), creio ter lido que
o ‘resultado’ liquido desta venda foi de cerca de 16,5ME;
1.2. Venda do Roberto – deduções relativas a
comissões e VB do ‘Passe’ (aquisição por 8,5ME, com 5 anos de contrato, cerca
de 1,7ME de amortização anual completada, permite uma estimativa de VB igual a
8,5 - 1,7 = 6,8, para uma parcela de cerca de (8,6 – 10% - 6,8 = 0,94ME;
1.3. Eventuais Proveitos com empréstimos, cujo valor
só sei estimar por diferença (1ME?) ; e
1.4. Os Proveitos resultantes das operações com o BSF
e que me parece importante esclarecer: o BSF foi constituído (e eu orgulho-me
de ter sido um dos primeiros a defender a sua criação) para (1) ser
uma alternativa de financiamento aos investimentos da SAD no Plantel e (2) para
permitir uma diluição dos ‘riscos’ (mais valias e/ou imparidades) inerentes a
esses investimentos, ou seja, o BSF não foi criado para permitir
nenhuma forma de “contabilidade criativa” para a SAD.
Para explicar o que aqui digo (e esta foi uma polémica que
eu defendi contra o parecer de alguns Companheiros, como, por exemplo, o Enorme
Benfica EAGLE do FORUMBENFICA), reparem no exemplo teórico seguinte:
Imaginem que a SAD, ‘meio aflita’ com as ameaças de
“falência técnica” com a qual vão enchendo as bocas todos os Companheiros que
gostam de assumir-se como ‘arautos da desgraça’, a SAD, dizia eu, ‘convencia’ o
BSF, no final de junho, e vendia-lhe (aqui não há comissões) 40% do passe do
Witsel por 12ME (avaliando-o em 30ME).
Ora como 40% do passe devem ter um VB (40% dos 6,5 da
compra) de um pouco mais de 2ME (porque já passou 1 ano e a decorrente
amortização), a SAD contabilizava imediatamente uma mais valia (um Proveito) de
quase 10ME.
Ficam os Benfiquistas a saber que não são estas as regras de
contabilização das mais valias geradas pelos negócios com o BSF!
Neste exemplo teórico, a SAD só poderia contabilizar 1/48
(um quarenta e oito avos) desse Proveito de 10ME (cerca de 208 mil euro) em
cada um dos (48) meses que faltam até ao fim do contrato com o Atleta. Por isso
eu digo e provo, que não há nenhuma “contabilidade criativa” nos
negócios com o BSF!
Numa nota final a propósito desta rubrica, quero alertar os
já referidos ‘arautos da desgraça’ para não se esquecerem mais desta componente
da rubrica de Proveitos com operações sobre ‘Passes’ de Atletas, uma vez que,
mesmo sem nenhuma nova venda, a SAD tem um valor trimestral garantido que já
atinge um valor interessante (talvez cerca de 2ME, diria eu);
E) Amortizações (contabilísticas) dos ‘Passes’
de Atletas, um valor médio trimestral de 6,97ME, que cresce com cada nova
aquisição (eventualmente com cada nova prorrogação contratual) e decresce com
cada ‘saída’ de Atletas, seja por venda do seu ‘Passe’, ou por simples
caducidade (ou ‘libertação’);
F) (= D + E) (ou D – E, se
preferirem), o saldo entre os Proveitos e os Custos decorrentes da ‘gestão do
Plantel’, chamemos-lhe assim;
G) (= C + F), os Resultados Operacionais Totais, incluindo
as operações com ‘Passes’ de Atletas;
H) Proveitos Financeiros, sim que a SAD também
tem Proveitos desta natureza, apesar da debilidade dos Capitais Próprios e por
mais que os anti Vieira nunca a eles se tenham referido;
I) Custos Financeiros, com um valor médio
trimestral de 5,57ME, valor esse que vem crescendo (tal como o dos Proveitos
Financeiros), como reflexo da alta continuada das taxas de juros e não
devido ao alegado “endividamento crescente” que os mentirosos e ignorantes
anunciam contra a realidade dos números.
Qualquer caloiro de um curso de contabilidade sabe que
quando uma sociedade apresenta resultados positivos (e estas contas demonstram
um resultado positivo de 2,5ME no final do terceiro trimestre), o seu
endividamento não pode estar a crescer, na exata medida em que está a melhorar
a relação entre os seus Activo e Passivo.
Recordo que estes custos, que a crise financeira agravou a
uma escala impensável há 2 anos atrás, mais não representam do que a
remuneração que a SAD tem de pagar aos (Bancos e outros investidores) titulares
dos Capitais alheios que estão investidos nos Nossos Activos;
J) (= H + I), Resultados Financeiros, negativos
porque os Custos são bem maiores que os Proveitos;
L) (= G + J) Resultados líquidos totais, uma vez
que eu entendi não apresentar os valores inerentes a provisões para impostos
(em sede de IRC), que são negligenciáveis.
(...) Continua:
3.º e último capítulo ( Sai às 09H00 de 18-08-2012) ( Sábado )
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Escrito por: José Albuquerque