sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Uma águia de duas caras em Nicósia


Confesso que houve momentos em que pensei que esta noite europeia ia dar mais dores de cabeça do que motivos para festejar. O Benfica venceu o Omonia por 1-4, mas o resultado esconde um jogo de duas caras, com uma primeira parte aos soluços e uma segunda em que a águia finalmente decidiu mostrar as garras.

Entrámos bem, chegámos à vantagem com um lance de Echeverri que acabou em autogolo e, aparentemente, achámos que o resto se resolveria por magia. Só que o Omonia não estava para ser figurante. A equipa adormeceu, facilitou na defesa e sofreu o empate aos 42 minutos. Pois claro! Podia lá faltar um daqueles momentos à Monty Python!

Na segunda parte, felizmente, apareceu outro Benfica. Pavlidis voltou a mostrar o instinto de goleador, Aursnes aproveitou um erro adversário e Lukebakio, com uma arrancada fantástica, ofereceu a Prestianni o quarto golo. Gostei de o ver optar pela assistência. Também se agradece quando o talento vem acompanhado de juízo!

Pela positiva, destaco Pavlidis, sempre oportuno, Echeverri, pela criatividade e qualidade de passe, e Aursnes, pela inteligência e capacidade de trabalho. Prestianni também merece uma palavra pelo golo, depois de aproveitar da melhor forma a assistência de Lukebakio.

Pela negativa, Rafa esteve em modo fantasma e, definitivamente, não está num bom momento.  O Manu teve boas movimentações, mas falhou demasiados passes e perdeu muitas bolas. Já o Palhinha, que entrou na segunda parte, na minha opinião, não conseguiu dar ao meio-campo a consistência que se esperava.

Quanto ao golo do empate, fiquei com os cabelos em pé! Montnor teve espaço para progredir e cruzar, e Kakoullis apareceu à vontade para cabecear. Bah e Circati ficaram mal na fotografia, mas o problema foi, mais uma vez, colectivo. Foram facilidades a mais numa só jogada.

Também não gostei daqueles minutos de circulação inconsequente na primeira parte. Ter a bola é bonito, mas convém fazer alguma coisa com ela! E, defensivamente, não podemos continuar a confundir tranquilidade com desconcentração.

Uma palavra também para o treinador, Marco Silva. Percebo as dores de crescimento, a necessidade de consolidar processos e a importância de rodar a equipa. Gostei da reacção na segunda parte e das alterações que deram outra dinâmica ao jogo, embora tenha sentido falta dessa atitude desde o início.

A rotação é necessária e o crescimento leva tempo, mas o importante é que esse trabalho se traduza, progressivamente, em melhores exibições e maior consistência dentro de campo.

Quatro golos na conta e mais um passo em frente na nossa caminhada europeia! Ainda assim, fiquei mais satisfeita com a segunda parte do que com a primeira e espero que a equipa saiba retirar as devidas conclusões. Porque uma coisa é ganhar por goleada, outra é convencer durante os 90 minutos.

E eu, como benfiquista, quero as duas coisas.

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