
Não é que eu goste ou desgoste do comentador desportivo
Rui Santos.
Respeito a pessoa, as suas opiniões, embora não esteja de acordo com muitas delas.
Transcrevo a seguir excertos de um artigo seu inserto no
RELVADO, pois como a ele também a mim me faz uma certa confusão determinados números os quais não se reflectem em outros, como por exemplo, no passivo do clube.
Não é que eu me interesse minimamente com o passivo do Porto. Interessa sim o passivo do Benfica.
Mas......
*** (Excertos)
Seja como diz o FC Porto (vai receber 40M€ por 85% dos
direitos económicos), seja como diz o Zenit (paga 40M€ pela totalidade da
operação), há uma conclusão que se pode tirar neste negócio entre os campeões
nacionais de Portugal e da Rússia: a elevadíssima cláusula de rescisão do
contrato de Hulk, de 100M€, absolutamente desenquadrada da realidade que
caracteriza actualmente o mercado futebolístico à escala global, uma forma de
proteger, em tese, os interesses do FC Porto, não serviu para quase nada.
Serviu apenas para criar a ilusão, durante algumas épocas, que o FC Porto iria
conseguir fazer, na senda do que aconteceu nas últimas temporadas com um lote
considerável de ’activos’, ‘o negócio dos negócios’.
Isso, como é óbvio e se
tornou cada vez mais previsível à medida que o tempo foi passando, não
aconteceu.
Fala-se agora da natureza e da qualidade do respectivo
negócio e, como sempre, há opiniões para tudo. Há quem veja o assunto
valorizando o que Hulk custou, o que Hulk proporcionou em termos de
rentabilidade desportiva e a mais valia conseguida nesta venda. Há quem veja o
assunto apenas pelo lado do valor da cláusula de rescisão.
É preciso olhar,
contudo, para todas as variáveis e, com elas, perceber que o FC Porto gerou uma
expectativa com este negócio que não foi cumprida, sobretudo se se considerar
outros negócios, que colocaram o clube presidido por Pinto da Costa na crista
da onda, em matéria de ‘encaixes’ com transferências.
Grande negócio foi, por exemplo, a venda ao Chelsea, há 8
anos, do lateral direito Paulo Ferreira, por 20M€. Ou de Ricardo Carvalho, ao
mesmo Chelsea, em 2007, por 30M€. Ou ainda de Bosingwa por 20,5€, novamente ao
clube londrino, também em 2007 ou os 30M€ de Pepe ao Real Madrid, nesse ano
mágico de 2007, que atirou, definitivamente, o empresário Jorge Mendes para a
dimensão máxima, no âmbito do ‘negócio-futebol’.
(...)
O dinheiro dos direitos televisivos, que é muito e o dinheiro resultante da
venda de bilhetes e lugares anuais, mais publicidade e merchandising, não chega
para tudo.
(...)
É público que o FC Porto conseguiu encaixar cerca de 450
milhões de euros, com as suas melhores 20 transferências (para além disso, só o
FC Porto conseguiria encaixar cerca de 10 milhões de euros, em 2003 (!), pela
venda de Postiga ao Tottenham!).
Isso contribuiu, e muito justamente, para
afectar positivamente à imagem do clube do Dragão uma aura de intocável
capacidade de negociação.
Agora que os contornos da transferência de Hulk estão
a ser discutidos na praça pública (o que vai fazer a CMVM perante declarações
não coincidentes produzidas pelas partes interessadas?!...) e sobretudo perante
a inevitável decepção em torno dos números, muito distantes dos 100 milhões,
talvez estejamos perante a queda de um mito: com efeito, o FC Porto, ao longo
dos tempos, vendeu muito e bem.
A verdade é que, não obstante essas vendas e o produto das receitas de
qualificações sucessivas para a Champions, o passivo anda na ordem dos 200
milhões de euros.
Nestas condições, podemos falar em boa gestão? Afinal a ‘boa
gestão’, que vem sendo dada como um dado adquirido na opinião publicada, não
será apenas um ‘módulo de propaganda’ e dar como certo algo que não está
plasmado nas contas?
Não teria o FC Porto a obrigação, num quadro de encaixes
tão significativos, e com esta capacidade de realizar transferências de
indiscutível impacto financeiro, de apresentar contas equilibradas?
Com tantas
receitas, não estará o FC Porto a gastar mais do que pode? Sem oposição externa
e interna, este é um assunto condenado a não dar discussão.
***
Pelo exposto alguns pensamentos e interrogações saltam à vista.
Onde anda o dinheiro de todas essas transferências, olhando ao passivo do clube?
Quem desfruta desses milhões? Por quem foi distribuído?
Será que foi apenas pelos chorudos ordenados que o Porto paga aos seus jogadores?
Serão as comissões brutais que alguns recebem e se encontram encapotadas sem que ninguém, por exemplo quem fiscaliza a corrupção desportiva, faça algo para que haja conhecimento dos factos?
Serão para viagens de férias de gente que não deveria usufruir delas?
Serão para encher envelopes que não deveriam existir?
Será para pagar a prostitutas servidas como aperitivo a árbitros de futebol?
Não sou eu quem põe em dúvida os números nem quem, entre linhas, se interroga pelo destino desses milhões. Não.
É o Rui Santos, quem o escreve, deixando dúvidas bem claras, dizendo inclusive, que a CMVM, parece andar distraída, ou então, digo eu, come do mesmo "prato" onde as iguarias chamadas euros são "oferecidas" como "acepipe" principal.
Será que a CMVM perante aquilo que se diz da venda do Hulk, ou seja, 60 milhões de euros, e o Porto e o próprio Zenit, dizem que foi por 40 milhões, não tem uma palavra a dizer? Fica em silêncio total?
Há coisas fantásticas não há?