terça-feira, 21 de abril de 2026

Um dérbi é sempre um dérbi

 

O dérbi entre Sporting e Benfica foi exatamente aquilo que estes jogos devem ser: intensidade, domínio alternado, momentos de aperto, decisões nos detalhes e muitos nervos.

O Mourinho, a quem já critiquei bastante, preparou bem o jogo. O Benfica entrou com uma ideia clara: travar a construção do Sporting e tirar-lhe conforto logo na origem. A aposta em Ivanovic foi exatamente isso, muita agressividade na pressão, e, junto com Barreiro, conseguiu condicionar bastante a saída de bola deles.

Mas o início foi atribulado, com o Sporting em 15 minutos a ter 3 oportunidades de golo. Nós tivemos o Trubin. Primeiro a complicar o que parecia simples com uma defesa estranhíssima e minutos depois a defender o penálti de Suárez. Em poucos instantes passou de susto a herói. Pelo meio ainda houve um remate muito perigoso do Catamo. 

O Benfica aproveitou o embalo e chegou ao golo por Schjelderup, que foi dos mais perigosos durante todo o jogo. Sempre activo, sempre a aparecer entre linhas e com critério no momento da decisão..

Bem acompanhado por Prestianni que foi outro dos destaques. Não fez números, mas fez jogo, pediu bola, acelerou transições e foi uma dor de cabeça para os adversários. Daqueles jogos em que não aparece na estatística, mas aparece na memória de quem viu.

Na segunda parte, o Sporting voltou com vontade: O Rui Borges arriscou, nós com onze metidos na área e eu a pensar lá vamos nós outra vez!  E deu empate, claro, com Morita a aparecer sozinho onde ninguém devia estar sozinho. O jogo voltou a abrir e a ficar perigoso para os dois lados. Várias oportunidades com as duas equipas a fazer pela vida.

Mas depois vieram as substituições no Benfica - finalmente!. Entraram Rafa, Lukebakio e Pavlidis, e de repente parecia que alguém tinha carregado no botão de turbo. O Sporting ainda marcou, ou pensou que marcou, mas o fora de jogo apareceu mesmo a tempo de travar a festa.

E quando já estávamos todos resignados ao empate, eis que surge aquele momento à Benfica. Jogada rápida, sempre ao primeiro toque, bola a circular, defesa deles a olhar e o Rafa, apesar de pressionado, a conseguir marcar. 

Drama, caos, alegria, tudo ao mesmo tempo.

Uma palavra para o inevitável Aursnes. Um jogo monstruoso, apesar do penálti. Não há grandes floreados: está sempre bem posicionado, sempre a dar linhas de passe e sempre a resolver problemas antes deles se tornarem visíveis. Um daqueles jogadores que fazem o sistema funcionar sem precisar de protagonismo. E para o Otamendi, que esteve em modo “General”.

Ganhámos. Em Alvalade. Num dérbi. Tudo certo.

Só que não.

É que isto sabe sempre bem, claro que sabe, ganhar ao rival nunca cansa, mas depois olhamos para a tabela e percebemos que andamos aqui a festejar enquanto fazemos contas que não dependem de nós. O segundo lugar? Talvez. Provavelmente. Quem sabe. 

Um dérbi é sempre um dérbi, ganhar é obrigatório mas este sorriso vem com aquele travo amargo de “se calhar já não chega”.

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