sexta-feira, 3 de julho de 2015

Mais do mesmo. A corja continua o ataque...

Interrompo o meu silêncio para vos dar a conhecer mais uma não notícia, publicada não com o intuito de informar sobre mas sim de condicionar o sucesso da operação obrigacionista lançada pela SAD do nosso Benfica.

Aqui fica o texto integral e o link para a publicação online da Renascença:

A moda dos empréstimos obrigacionistas entre os clubes de futebol parece que veio para ficar. No início desta semana, foi o Benfica a lançar a subscrição de 55 milhões entre este ano e 2018. É a terceiro operação deste género dos três grandes em dois meses.

Estes investimentos rendem juros muito acima da média do mercado. Olhe-se para os três "grandes" do futebol português: o Sporting está a pagar 6,25% brutos, enquanto o FC Porto paga 5% e o Benfica 4,75%. Os valores líquidos são um pouco mais baixos. 

Aliciante? Sim, mas o risco é proporcional. A Renascença falou com Pedro Lino, especialista em mercados financeiros, que enquadra este tipo de investimentos e deixa um conjunto de conselhos. 

Lino chama a atenção para as dívidas das sociedades anónimas dos três maiores clubes portugueses: "Estão tecnicamente falidos e por isso mais sujeitos a reestruturações." 
O
Os três "grandes" têm lançado nos últimos dois meses um conjunto de empréstimos obrigacionistas. Em primeiro lugar, o que é um empréstimo obrigacionista? É quando uma empresa precisa de dinheiro e, ao invés de ir aos seus accionistas, vai procurar esse financiamento junto de investidores e emite obrigações. A empresa fica com a obrigação de voltar a pagar o dinheiro que o investidor emprestou, acrescido de um juro. Daí a diferença entre obrigacionista e accionista. Porque o accionista é dono da empresa e às vezes faz suprimentos. Um obrigacionista não tem direito ao património, tem direito ao rendimento e ao capital que lá colocou.

Este tipo de investimento que envolve dinheiro e futebol rege-se pelos mesmos padrões de racionalidade? Não. O investimento em clubes de futebol é muito mais emotivo e sentimental, tem mais a ver com a filiação no clube do que com um investimento racional, isto se olharmos para as contas. Para isso não é despiciendo que não haja casas de investimento que analisem os clubes de futebol e que dêem preços de referência. Se olharmos para os balanços dos clubes, eles tecnicamente estão falidos. Têm dívidas muito elevadas e dependem das jornadas de cada campeonato para que possam gerar receita. É um mercado muito específico que atrai os investidores pelas taxas de juro.

As taxas de juro que vemos nas emissões obrigacionistas dos três grandes são muito altas para a média do mercado. Como é que é possível fazer uma retribuição tão elevada?
Como este é um negócio de maior risco, está associado a uma maior taxa de juro. O que os investidores têm de perceber é que sempre que existe uma emissão de obrigações ou uma empresa que paga uma taxa de juro superior isso quer dizer que o nível de risco é maior.

É o que acontece nos clubes: se olharmos para o balanço do Benfica no ano passado, o capital próprio era negativo (significa que se o clube fosse encerrado ainda ficava a dever dinheiro). Este ano, felizmente, já tem capital próprio positivo de 5,8 milhões de euros. Mas este é um exemplo muito interessante, porque tem um passivo total de 408 milhões para um capital próprio de apenas cinco milhões e pretende emitir ate 55 milhões.

É um negócio diferente do de uma empresa onde se consegue perspectivar a evolução futura da actividade. Neste caso, é um negócio que só ano a ano se consegue prever qual a actividade do clube.

Referiu as dívidas elevadas que os clubes têm, nomeadamente o Benfica. Quais é que são os riscos destas operações para os investidores?
É que, em caso de dificuldades, o clube pode ver a sua dívida reestruturada, ou seja, [os investidores] podem ter colocado mil euros e de um momento para o outro o clube renegociar e pagar apenas 500 euros ao investidor. Existe um risco de reestruturação caso o clube não consiga vencer campeonatos ou gerar receitas suficientes. Este é um risco real, daí a taxa de juro elevada que tem de ser paga aos investidores.

Que conselhos daria aos investidores antes de investirem nestas obrigações? Primeiro, lerem o prospecto resumido que foi publicado na CMVM – se bem que o prospecto total tem 125 páginas [no caso do Benfica], o que é algo muito fastidioso para qualquer um ler. Mas só por aí também se percebe que existe um capítulo substancial ligado aos riscos. O conselho é que os investidores coloquem só o dinheiro que não precisam, mas que mesmo assim coloquem uma muito pequena parte do seu capital em operações deste nível. Apesar de a taxa de juro ser elevada, o risco também o pode ser.

Os clubes de futebol parecem estar cada vez mais viciados neste tipo de operação. A CMVM devia apertar as condições em que permite estas iniciativas? A CMVM já obriga o Benfica a ter um prospecto de 125 páginas e posso-lhe dizer que nenhum ou poucos investidores que vão subscrever o vão ler. Por isso, os riscos estão já todos detalhados. Há 15 páginas sobre eles, a questão é mais sobre a iliteracia financeira dos investidores. E as pessoas não olham para os riscos que lá estão. A CMVM exigiu que eles fossem publicados. A CMVM também não pode dizer se os investidores podem ou não subscrever. Os riscos estão lá, cada um tem de tomar as suas decisões.


Leram tudo? Então vamos desconstruir um pouco a teia de inferências maliciosas inculcadas neste texto.

Isto é um perfeito exemplo de como facilmente se consegue conotar negativamente este tipo de operações e ao mesmo tempo anexar o nome do Benfica para dar visibilidade a um texto oco, vazio de sentido, cheio de lugares comuns e que em nada informa quem vai investir neste tipo de obrigações.

Achei especialmente delicioso como no início do texto se fala em risco, se diz que esse risco é maior nos casos em que os juros pagos são superiores para depois dolosamente se esquecerem disso mesmo e apenas falarem como exemplo na operação obrigacionista lançada pela Benfica S.A.D.. Já para não falar no pormenor de a palavra Benfica e risco serem incluídas sempre nas mesmas frases e nas respostas deste senhor. Não sei se é Benfiquista, Sportinguista ou até do cascalheira futebol clube mas referir primeiro que "ler o prospecto é muito fastidioso" e dizer logo a seguir que o mesmo prospecto só tem 125 páginas porque a CMVM obrigou a que assim fosse deixando no ar a ideia de que se fosse por vontade do Benfica a informação referente ao risco da operação não era incluída no prospecto é um abuso do direito de opinião e quanto a mim carecia de ser tratada noutros locais por quem de direito na nossa SAD.

Mais delicioso se torna a afirmação que atribui à mera sorte ou acaso o facto de os capitais próprios da nossa SAD (presumo que seja a esta entidade que o autor se referia) serem hoje em dia positivos. E cito: "felizmente, já tem capital próprio positivo de 5,8 milhões de euros".

Como é óbvio, após ler este texto, eu que sou um mero aprendiz de gestor de empresas e que tenho muitos poucos conhecimentos acerca da realidade financeira do meu clube, acomodei-me, pus-me a fazer contas e decidi, depois de analisar as tais 15 páginas de riscos (eu só li o prospecto do Benfica) que em vez de 1000 euros vou investir 2500 euros. Isto porque não percebo nada disto, sou um catavento e mudo de opinião constantemente e gosto que me emprenhem pelos ouvidos (ou pelos olhos neste caso).

E é assim. Um Benfiquista quando verdadeiramente informado, encontra sempre forma de ser cada vez mais e melhor Benfiquista.

Parafraseando o saudoso Fernando Pessa: E esta hein?

VIVA O BENFICA PORRA!!!!!


12 comentários:

  1. Achei bastante interessante a entrevista.

    é verdade o que ele diz. Muita gente faz investimentos sem perceber. Eu no início também para ser honesto e sincero. Mas depois fui aprendendo, fui lendo fui-me informando.

    Portanto ainda bem que seja escrutinada a informação sobre o EO. É bom dar a conhecer às pessoas os riscos ligados a um EO. No entanto claramente os riscos não são assim tão monstruosos como se aparenta e por isso é que as pessoas continuam a comprar dívida do SL Benfica. (Não diria ser um investimento, porque não andamos a adquirir capital/comprar activos enfim mas isto são pormenores a meu ver)

    Eu subscrevi 2600 obrigações. Acho sinceramente que iremos subscrever não as 45Milhões iniciais mas 55M e a procura será bem maior que a oferta. Ainda vale apostar neste mercado porque até agora seja na BSAD ou PSAD ou SSAD os clientes foram sempre remunerados. Há uma confiança...pelo menos até que um deixe de poder de pagar. Aí o que vai acontecer é que ninguém se vai voltar a meter num EO. Simples quanto isso. Os clubes vão continuando a usar este forma de se financiarem porque os Bancos comem taxas de juros enormes ! Basta ver que nós vamos poupar 3% na taxa de juro em relacao aos emprestimos do NB (Ou velho banco) !!! uns bons milhões com este EO.

    Para finalizar é verdade que quase só ano a ano se consegue prever qual a actividade do clube, como ele diz, mas podemos ver qual a estratégia dos clubes a curto prazo e como tal sabemos se daqui a 3 anos achamos que um clube vai cair em incumprimento ou não. O Sporting já teve uma reestruturação e continua a pagar aos seus clientes juros. Ninguém prêve que eles caiam até 2018, apesar de haver essa probabilidade claro. No entanto se nem esses vão cair, muito menos o SL Benfica. Se fosse uma entrevista sobre o EO do Sporting os lagartos fariam o mesmo tópico que tu e se fosse os corruptos a mesma coisa.

    ps: Eu li o prospecto de 125página, mas não todo, confesso que mesmo eu não tive tempo para ler tudo. é fastidioso 125páginas, mas bom de saber e de ter.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sou um pouco assim, tive-se eu condições neste momento e fazia o mesmo que você.
      Carrega BENFICA.
      ruil

      Eliminar
    2. O investir deriva do facto de pessoas como eu que não tem muita disponibilidade fazerem um investimento não apenas num EO mas sim no meu clube. Não se trata de investir para procurar dividendos. Estou perfeitamente a cagar para isso.

      Desculpa mas não concordo com o último parágrafo. Este tipo de entrevista só acontece porque existe uma clara intenção de afastar as pessoas do EO da Benfica S.A.D.. Isto foi fabricado, publicado e editado com esse propósito em mente. Ou não fosse apenas o EO do Benfica mencionado no texto associado à palavra risco em quase todas as perguntas e respostas.

      Isto é tão óbvio como o facto de a entrevista não trazer nada de útil a público. Que os Portugueses investem mal já nós sabemos de cor e salteado ou não fossemos nós governados durante tantos anos por apenas 2 partidos e com as consequências desastrosas que daí derivaram. E vamos continuar a ser assim porque mentalmente ainda não tirámos a cabeça de dentro do cú como dizem os Americanos e continuamos a olhar para o nosso umbigo como se fosse o umbigo mais bonito do mundo e o cotão lá dentro fosse de facto um lindo bouquet de flores.

      As pessoas perderam a noção de que o risco tem 2 vertentes. A do sucesso e a do insucesso. Toda a nossa vida está feita para girar em torno do risco. E sempre que aparece alguém que tem capacidade para conseguir reduzir a margem de risco que nos leva ao insucesso é constantemente reduzida a cinzas pelos oportunistas da opinião pública que não perdem uma chance para capitalizar opiniões em cima de teorias do abismo e de axiomas financeiros que não lembram nem ao mais paradigmático dos gestores de empresa que eu conheço.

      Concordo quando se diz que é necessário investir com segurança. Mas a minha definição de segurança não é a mesma de um país que permite que se faça o que se fez aos clientes lesados pelo BPN, BCP, BES e outros que tais e onde ainda se tem a lata de dizer que foi bem feito porque as pessoas tinham muito dinheiro e podiam perdê-lo como ouvi outro dia um animal aqui em Angola afirmar em público.

      Além do que o risco é relativo. O problema das pessoas e com as aplicações financeiras que fazem ou decisões que tomam na vida é que tem a tendência de fechar as portas com as costas. Esquecem-se que o único olho que tem nas costas é cego, investem tudo no mesmo cavalo (isto sim um investimento de risco) e depois não conseguem fechar a porta e pumba tudo perdido.

      E a estes sabem o que eu lhes chamo? Maus gestores ou maus políticos! Ou até maus chefes de família se não forem do Benfica é claro.

      Eliminar
    3. Estou de acordo com o nuno. O risco está directamente associado ao nível dos juros que os clubes pagam, isto é, quanto maior o juro que é pago maior é o risco que lhe está associado, aquele expressa a compensação para o risco. Mas o autor do texto que tinha tanto preocupação em falar do risco das EO afinal ocultou o mais importante.

      O major risco está sem dúvida no Sporting que oferece por isso a maior remuneração, seguido do Porto e por fim do Benfica que oferece o menor rendimento por oferecer menor risco. E quem estabelece o nível de remuneração dos investidores não são os clubes mas os bancos emissores.
      Tudo isto foi omitido no texto.

      Eliminar
  2. Hoje no jornal a bola vem uns gráficos exemplificativos, acho muito interessante o que diz o dr.Agostinho Abade, especialista na área financeira e antigo dirigente do scp. "O Sporting este ano quem teve de pagar foram os bancos...o BENFICA, pelo contrário emite 55 M, paga os 45 M que deve e fica com 10M dos juros " está lá para quem quiser ver.
    ruil

    ResponderEliminar
  3. Como sou um leigo na matéria deixo para os entendidos a análise através de comentário ao texto - que embora pouco perceba, penso ser fabuloso - aqui inserto pelo amigo Nuno Maf. a quem envio aquele abraço glorioso.

    Já tinha saudades da tua presença, lool.

    ResponderEliminar
  4. Como sou um leigo na matéria deixo para os entendidos a análise através de comentário ao texto - que embora pouco perceba, penso ser fabuloso - aqui inserto pelo amigo Nuno Maf. a quem envio aquele abraço glorioso.

    Já tinha saudades da tua presença, lool.

    ResponderEliminar
  5. Ainda quero acrescentar o seguinte. É exactamente por causa da questão dos juros que neste momento se torna ainda mais importante que este empréstimo chegue mesmo ao total dos 55 milhões.
    Estrategicamente e alavancado pelos sentimentalões dos sócios, vamos passo a passo subindo a escada e deixado os melões a rebolar por ela abaixo.

    Este subito folgo financeiro dos nossos adversários significa que eles estão na realidade num estágio financeiro evolutivamente mais atrasado em relação a nós. Há que e«investir para reduzir o fosso. Mas quando a manta é curta... Vamos ver o que vai dar esta nova época.

    Considero esta época transcendental. Ainda mais do que a do Bi-campeonato até pelas razões sentimentais transversais a todos as situações que ano após ano nos acontecem.

    Um teste à nossa capacidade de sacrifício mas também à nossa capacidade de organização e de reorganização. Quem ninguém julgue que será fácil substituir quem saiu. Mas o caminho faz-se olhando em frente. Em frente mas sempre com o nosso colinho e não o dos árbitros como muitos quiseram fazer parecer.

    Eles que se percam no calor da noite que é negócio ainda em alta prós lados de Contumil.

    Adorei a forma como o Bruninho, depois de serem novamente enrabados pelo Pintinho com o Danilo, veio submisso lhe dar as mãos para estrategicamente se aliarem na questão do sorteio (condicionado) dos árbitros. Uma vez p*** sempre p*** como se diz na rua.

    ResponderEliminar
  6. Jose Albuquerque03/07/15, 16:53

    Enormerrimo Nuno, Companheiro,

    Obrigado por este teu brilhante texto (que eu nao conhecia) com o qual desmontas meridianamente essa "coincidencia" de perguntas e respostas.

    Pelo meu lado (e nem necessitava de ter lido todo o prospeto da EO, alias absolutamente soberbo), nao so' investi, como recomendei aos meus 3 Filhos que investissem e recomendo a todos os Companheiros (e Leitores d' OBELOVOAR) que aproveitem esta oportunidade de obterem alguma remuneracao para aquelas poupancas de que nao tenham necessidade no prazo de 3 anos (os papeis vao estar cotados em bolsa, mas operacoes de pequena escala sao muito prejudicadas pelos custos das operacoes em bolsa), especialmente se ja' tiverem nos vossos bancos alguma carteira de titulos (o que vos permite diluir os inerentes custos).
    Contactem o vosso gestor de conta bancaria e acreditem que estao a fazer uma aplicacao das vossas poupancas sem nenhum risco em termos praticos.

    Viva o Benfica!

    ResponderEliminar
  7. Não sei discutir estes assuntos de compras e vendas de titulos obrigacionistas mas gosto de ler quem o sabe fazer e pelos comentários nota-se que o caro amigo benfiquista Nuno o sabe fazer muito bem.

    Estou triste e feliz ao mesmo tempo. Por um lado não queria ver sair Gaitán. Por outro sei que ele tem de sair a fim de haverem euros para novas compras. Estou feliz por o Eusébio ir para o lugar que por mérito tem direito: O Panteão nacional

    Viva o Benfica Sempre

    ResponderEliminar
  8. Estou preocupado é com isto e outras aquisições falhadas o resto é treta, quero é ganhar, as contas não se sabem na verdadeira latitude que têm.

    Hassan já não vai ser jogador do Benfica. O corpo clínico do clube da Luz aguardava os resultados dos testes médicos e estes não corresponderam ao esperado pelo que a transferência não se vai concretizar.

    No final de maio, o avançado esteve em Lisboa para ser avaliado clinicamente e assinar contrato como aconteceu com Ederson e Diego Lopes, mas uma anomalia cardíaca acabou por inviabilizar a transferência.

    O futebolista acabou por realizar uma ablação (intervenção por cateter para queimar o foco do problema) no início de junho e recebeu autorização para ir de férias para o Egito. Entretanto, regressou a Portugal e apresentou-se em Vila do Conde e recebeu ordem para repetir os exames, cujos resultados não agradaram ao Benfica.

    ResponderEliminar

Todos os comentários Anónimos - ou outros - menos respeitosos para com este blogue benfiquista e/ou para com outros comentadores, serão eliminados, sem prévio aviso. Obrigado.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...