segunda-feira, 16 de abril de 2018

O jogo que espelha a época

Depois do jogo de ontem, podem-se tirar algumas conclusões que, na minha opinião, eram expectáveis há muito...

Estrutura

O desinvestimento na equipa de futebol (não obstante a contratação de 20 jogadores); a não substituição de 4 (quatro!!!) jogadores titulares; a arrogância e sobranceria que levou à perda de domínio dos andrades transferiu-se para a Luz, onde se convenceram que é a "estrutura" que ganha campeonatos. A época demonstrou exactamente o contrário: não só a estrutura não ganha, como a sobranceria e arrogância normalmente dão maus resultados...

Treinador

O professor, vencedor do tri e do tetra, fruto de um alinhamento invulgar dos planetas, foi vivendo das individualidades que abundavam na Luz e que iam resolvendo os jogos ao mesmo tempo que os adversários iam dando tiros (de bazuca) nos pés.

Ora, a sangria dessas individualidades nas últimas duas épocas, depauperou irremediavelmente o plantel e deixou nos pés de Jonas a solução para todos os problemas. 





A baliza foi sempre um problema. A defesa nunca deu grandes garantias, nem estabilidade. O meio-campo, não obstante o monstro Fejsa e os aparecimentos, quase por acaso, de Krovinovic (que nem inscrito foi na Liga dos Campeões) e de Zivkovic (que esteve com guia de marcha e alternou entre o banco e a bancada na primeira parte da época), foram disfarçando o inevitável... 

Na frente de ataque faltou sempre Mitroglou. O tal grego que impunha respeito aos adversários e que tinha um dom para marcar aos grandes, que foi despachado para Marselha a troco de uns trocos e que segundo Vieira na última Assembleia Geral ia passar muito tempo na bancada... Sobrou Jonas, que não é em pode ser omnipresente e apareceu o bombeiro do costume, Raúl, curto para as necessidades... 

Os jogos fora foram sempre um suplício, sempre sem agressividade, sem chama, com um futebol (e resultados) sofríveis.

Ontem, mais do mesmo. É uma verdade de La Palice e ontem voltou a acontecer: quem joga para o empate, fica sempre mais perto de perder.

Em 3 anos, 6 jogos com os andrades, zero vitórias. Com os lagartos, duas vitórias em 7 jogos. É isto e não dá para mais...

O professor personifica na perfeição a voz do dono. Pode ser um treinador à medida de Vieira, mas nunca será um treinador à medida do Benfica.

Uma época desastrosa que não encaixa numa alegada hegemonia, que como se vê não passou de uma ilusão. A eliminação nas Taças e sobretudo a pior campanha de sempre na Liga dos Campeões, põem a nu outra verdade de La Palice: o pior cego é aquele que não quer ver...

Nomeações 

A época fica também marcada pelas nomeações do pai do atleta do Sporting, Fontelas Gomes. Nomeações cirúrgicas para garantir que, se algo falhasse dentro das 4 linhas, haveria sempre um apito amigo a segurar os dragartos e a empurrar o Benfica para baixo. A esmagadora maioria dos árbitros nomeados para os nossos jogos são do Porto. Os dragartos tiveram sempre a mão amiga dentro de campo e fora de campo (VAR).

Arbitragem / Disciplina

A campanha dragarta para condicionar arbitragem (e disciplina) venceu em toda a linha. Na dúvida é contra o Benfica. Na dúvida é a favor dos dragartos. 

Tal como ontem, o resto da época foi assim. Valeu a pena a visita dos super ladrões a Soares Dias no Centro de Treinos dos árbitros na Maia. E valeram a pena as ameaças (sim, dos mesmos super ladrões) que recebeu esta semana no Norte Shopping dizendo-lhe que se não se portasse bem o filho podia aparecer com as pernas partidas. Soares Dias ontem protegeu o filho, como seria normal.

Na disciplina o sumaríssimo a Samaris não fez escola. Brahimi, Mini Pereira, Felipe, Soares, Battaglia, Coentrão, Coates entre tantos e tantos outros passaram impunes.

Campanha dragarta

A campanha mais suja que o país já viu deu frutos. Demonstrou assim que a imundice compensa. Uma comunicação social nojenta, uma federação e um liga inertes e cúmplices, tribunais e ministério público tomados pela clubite (e seguramente pelo untar de mãos). 

Esta época desportiva (e não apenas a futebolística) são a prova clara da célebre frase de Martin Luther King: "O que me assusta não são as acções e os gritos das pessoas más, mas a indiferença e o silêncio das pessoas boas".

O resultado está à vista: Enquanto outros festejarão o campeonato (e as taças) nos estádios, em casa, nos cafés e nas ruas, nós "festejaremos" a redução de dívida, o pagamento integral do estádio ou a construção de uma universidade no Seixal. São opções...

10 comentários:

  1. Sem dúvida concordo com o que escreve. Porém, há um mas muito grande: o futebol é um jogo cheio de fatores aleatórios, como um ressalto que proporciona um grande golo (Herrera) ou que impede um simples golo (Pizzi). E contra isso não há estrutura que valha.

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  2. O Treinador não é grande espingarda viu-se ontem , medroso e incapaz de reagir e reagindo reagiu mal , está a mais no Benfica , bom moço Educado mas isso não chega , quanto ao Plantel faltam Jogadores cruciais , um bom Ponta de lança e um médio Criativo e gente capaz de os substituir a eles e não só , caso contrário perderemos a Hegemonia que custou tanto a ganhar !...

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  3. O meu digníssimo aplauso para este: Sentido...verdadeiro e poderoso artigo!!

    Não obstante, ainda não atiro a toalha ao chão!

    Bom dia

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  4. Só eu sei a tristeza que vai dentro do meu coração- Só eu sei ...
    Foi mais uma noite sem dormir. Acredito que até ao próximo jogo, outras noites de insónia, se seguirão...

    Obrigado amigo Fernando Henriques pelo teu discernimento em fazer esta brilhante publicação
    Grande abraço

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  5. Era para ganhar. Na nossa casa, num ambiente extraordinário e com o apoio de 60 mil, não tivemos competência para mandar no jogo (todo) e para ganhá-lo. Na 1ª parte, sempre que atacámos bem, tornou-se óbvio que a vitória estava perfeitamente ao nosso alcance. Quando começámos a recuar (foram os jogadores ou foi indicação que saiu do banco?) e não atacávamos, com o jogo a decorrer tempo demais no nosso meio campo, augurei coisa ruim. E aconteceu, naquele pontapé feliz do adversário. Não se ganham jogos sem rematar à baliza (a falta que nos fez Jonas e que nos faz Mitroglou...), e neste jogo tínhamos de rematar mais do que rematámos, tínhamos de arriscar mais do que arriscámos, porque era um jogo decisivo. Não era, Rui Vitória?
    Tivemos o pássaro na mão e deixámo-lo fugir.
    O Dias foi o Dias que tem sido, desde que o visitaram na Maia. E o Martins também não viu o penálti cometido sobre o Ziv. Dois artistas escolhidos a dedo pelo lagarto que manda na arbitragem. Se eu fosse o RV teria avisado os nossos jogadores que iam lutar contra catorze e que, por tal, teriam de jogar muito, muito mais do que os outros e ser muito mais competentes do que eles. Dependíamos da nossa competência, agora estamos dependentes da incompetência dos outros. Mau negócio.
    Mas é preciso termos calma e continuar a apoiar a equipa. Ainda não acabou.
    Ao Rui Vitória e à equipa, como a todos os treinadores de todas as equipas do Glorioso, recomendaria verem e ouvirem a entrevista dada pela grande Vanessa Fernandes à BTV, há cerca de um mês. Vejam e ouçam com muita atenção. Várias vezes, se for necessário. Cá por coisas.

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  6. Msis um grande post do Fernando. A verdade dura e crua! Este jogo era para ganhar,não para empatar...e assim se perde o penta.

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  7. Fernando,és muito Grande!!Totalmente de acordo!!Abraço!!
    Clau

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  8. Se o Pizzi não tivesse falhado aquele golo.
    Se o Rafa em vez de acertar no poste a tivesse enfiado lá dentro.
    Se o Gatuno Dias não tivesse sido tão ladrão e, não sei o que terias de fazer a este relambório requentado e, de tão mediocre qualidade.
    Mas,se calhar até sei!
    Há mais marés do que marinheiros (mais céus do que aviadores!!)...!!
    Viva o BENFICA carago.

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  9. E a insistência em mumias (Pizzi) tb deve ser referida.....

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