segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O Rei vai nú...


Hoje, vá-se lá saber porquê, vieram-me à ideia uma série de contos tradicionais que li na minha meninice. Alguns deles perfeitamente adaptáveis a alguns personagens que andam por aí a espalhar "presunção e água benta"...

Um desses contos, "O Rei vai nú" de Christian Andersen, foi um conto que me coube analisar na escola secundária e do qual ainda guardo um pequeno texto interpretativo que foi feito por mim há algum tempo (1986 se não me engano), tinha eu 14/15 anos.

Resolvi hoje passar esse pequeno texto a poema, pelo que peço desde já a vossa compreensão e as minhas humildes desculpas pela ingenuidade das rimas.

Sei perfeitamente que desse lado está gente com muito mais experiência que eu nestas lides...  :D

Bom vamos a isto:

Quem és tu? perguntei
Ao ver tamanha beleza
E o espelho em que me mirei
Mostrou-me a realeza


Sim, eu sou rei de tudo
vaidoso quero permanecer
De opulento quase expludo
e todos tem de me obedecer


Eu sou o rei que brilha
Encanta, fascina e deslumbra
Sou a oitava maravilha
formosura que assombra


Mas pobre de mim, que desgraça
que irónica adversidade
Não haver trapinho que jus faça
A tão ofuscante personalidade


Tu aí, súbdito leal
vais procurar com critério
pois quero para o desfile real
O melhor tecido do império


Sim meu rei adorado
Viajarei de lés a lés
Para trazer um brocado
que jogue o mundo a teus pés


E lá foi o real mensageiro
De povoado em povoado
À procura de mágico tecido
Por ninguém antes usado

Quando tudo parecia perdido
após muito reino palmilhado
Eis que alguém teria ouvido
Falar do tecido desejado

Mesmo, mesmo ali ao lado
À distância de apenas um passo
Estava um velho encapuzado
que dizia a compasso

Sei fazer um tecido vistoso
De cores nunca antes vistas
Um entrelaçado curioso
de padrões vanguardistas

Mas é tecido especial
Não é para todas as mentes
Pois só o podem ver
aqueles que são inteligentes

E assim foi apresentado
O espertalhão ao rei vaidoso
Para tecer o muito aguardado
Tecido maravilhoso

Trabalhou por um dia
dois, três e uma semana
Mais tempo que o que previa
Sua majestade ufana

Eis que o orgulhoso regente
cansado de tanto esperar
manda o seu mais inteligente
Ver o que se estava a passar

Ao chegar à sala do tear
do velho encapuzado
ao inteligente falta-lhe o ar
e fica petrificado

Os olhos esgazeados
Percorrem o vazio
ao invés do tecido esperado
Não se vê nem um fio

E o velho a sorrir
Aponta para o tear
Diz: Foi difícil de cerzir
Mas está como era de esperar

O inteligente esboça
um gesto de compreensão
pois não quer ser motivo de troça
Pela sua falta de visão

Com corte nunca antes visto
É bonito, arrojado e moderno
Vai servir como previsto
Ao nosso suserano

E assim foi espantado
O inteligente ministro
Dar notícias ao potentado
do que afinal não tinha visto

O rei entusiasmou-se
E informou decidir
que daria o que fosse
Bastaria o velho pedir

E assim fez o velho
Pediu o seu peso em ouro
E o real pingarelho
Deu-lhe parte do tesouro

Chegou o dia esperado
a hora do desfile real
O rei todo pelado
Numa imagem surreal

Que linda é essa vestimenta
Diz o real conselheiro
E que bem que assenta
No vosso real traseiro

E o rei embevecido
de pirilau a pender
Abalou sem nada vestido
Sem se aperceber

Estupefação geral
Silêncio na parada
Sua alteza real
Trazias as joias penduradas

O rei avançou decidido
Por entre a multidão
Até que se ouve um alarido
Uma grande comoção

Um petiz atrevido
Apontando para o real tutu
Grita bem divertido
OLHEM O REI VAI NÚ!


VIVA O BENFICA PORRA!

5 comentários:

  1. Assenta que nem uma luva no cérebro da táctica que se diz o maior...palerma

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  2. Era bom enviar este poema ao cérebro da reboleira ( se ele souber ler e interpretar) que se julga o maior, mais resplandecente que o sol.

    Se "A DIFERENÇA ESTÁ NO TREINADOR" o Capucho é melhor que o cérebro!!!

    ResponderEliminar
  3. António Madeira19/09/16, 16:55

    Independentemente de estas quadras serem a pretexto do basófias,
    tiro-lhe já o chapéu pelo poema tão bem construído!
    Tem jeito para a poda. ;)

    Saudações benfiquistas.

    ResponderEliminar
  4. Simplesmente BRILHANTE caro amigo Nunomaf

    Agora temos é que ganhar hoje, senão !!!

    ResponderEliminar
  5. Já há muito tempo não passava por este cantinho poético. Hoje passei porque me apeteceu e ainda me é permitido. Adorei o poema. " viva o Benfica" Um beijinho amigo.
    Rosaria Marques Marques

    ResponderEliminar

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