sábado, 30 de outubro de 2010

Escrever? Mas escrever sobre o quê?

São três horas da manhã.

Aqui estou, sentado junto à minha "amante", porque não tenho sono.
"Amante", poder-se-ão interrogar?. À pois é, o meu computador é para mim, mais que uma "amante".
Consome-me a alma e por vezes tira-me do sério, basta para isso que lhe "apeteça" ter uma "avaria" numa peça qualquer.
Nesses momentos, só me apetece "esganá-la". Falo no feminino, não vão pensar ... coisas e loisas.
Ouço um leve bater nos estores, qual música de xilofone. Malandrisse do vento e de uma chuva serena, pausada, indiferente, que cai.
Não me apetece falar, ouvir música, ver tv ou outra coisa qualquer. A outra coisa qualquer sou eu a divagar porque…. isso agora não interessa nada.

Também não me apetece escrever.

Penso para comigo: Mas escrever o quê e/ou sobre o quê?
Falar de que o clube do meu coração ganhou por 2-0 ao Paços de Ferreira?. Mas o que é que isso tem de anormal para que eu escreva algo sobre esse evento?.
Que Pablo Aimar marcou um golo de antologia, fazendo lembrar um pequeno jogador que não jogava nada, apenas se passeava pelos relvados, saracoteando, desviando-se com arte e mestria, de um, dois, três, "companheiros" de jogatana, a dar uns toques numa bola, um tal de Maradona, ou até de um Ronaldo, o tal cognominado por "O Fenómeno", nos seus tempos de Barcelona e/ou Real Madrid, que chegou (chegaram) a fazer umas coisitas idênticas a esta do Pablito Aimar.
Mas se até esses, fraquitos interpretes do futebol, marcaram golos análogos, qual o interesse de escrever sobre o golo do Aimar?
Não, isso não é facto merecedor, que eu perca o meu tempo a garatujar umas letras.
Também pensei em dizer qualquer palavrita sobre o Roberto, guarda redes do nosso ENORME. Mas dizer o quê? Que tem estado soberbo a defender? Que mostra em cada jogo ser um dos melhores, senão o melhor guarda redes que actua no Campeomnato Nacional? Que no principio da época até nos causava calafrios quando uma bola "sobrevoava" a nossa área e que agora até gostamos que isso aconteça só para vibrar com a prespectiva de mais uma defesa fantástica?
Mas isso interessa a quem? Para quê escrever sobre um facto quando a grande maioria dos benfiquisatas sempre acreditaram no Jogador?
Não. Não vou escrever nada para aqueles que não dignificaram o silvo da "águia" não lhe dando tempo para aprender a voar, querendo logo cortar-lhe as asas. Esses, vão aprender, como aprenderam os meninos à volta da lareia, como se ganha ... um guarda redes.
Dizer que ontem, 29OUT10, fez seis anos, que faleceu um dos mais emblemáticos jogadores que vi jogar!!!!.
Jacinto João, mais conhecido por JJ, o homem das pernas tortas, que fazia lembrar um jogador banalissimo que se chamava Garrincha e jogava na selecção brasileira.
Para quê escrever sobre isso se até um Hulk que por aí anda joga de vez em quando nessa selecção?
Não vou mesmo perder tempo com isso. Jacinto João (JJ), esteve à experiência no Benfica, só que nesse tempo entrar no Benfica era o mesmo que uma formiga namorar com um elefante.

Estão a ver a dificuldade não estão?

Brilhou ao mais alto nível no Vitória de Setúbal, clube que o honrou (honra), ao mandar colocar uma estátua sua, defronte ao Estádio do Bonfim.
Não me apetece mesmo escrever.
Até podia aqui rabiscar algo sobre a grande penalidade ontem cometida sobre o Fábio Coentrão no jogo com o Paços de Ferreira. Mas para quê?
Só ia arranjar discussão, porque uns dizem que foi nítida, outros que não foi penalty, outros ainda só porque lhes apetece ser do contra, vão dizer que eu não tenho razão se disser que foi mesmo penalty sem margem para dúvidas. Então vou escrever e depois ouvir essas coisas? Não me parece que o faça.
Podia ainda fazer uns gatafunhos sobre a anunciada greve dos árbitros, que se falava acontecer no próximo fim de semana em que jogam, entre si, o Porto e o Benfica, mas que já não vai haver, porque já houve entendimento entre as partes interessadas.
Mas dizer o quê? Que os árbitros têm ou tinham razão? Se o disser vêm logo aqueles da objecção que dizem que não tinham razão nenhuma porque isto e aquilo, que outros também trabalham e descontam e tal e coisa.
Lá saia a discordância e eu vou sujeitar-me a isso? Não vou, e por isso não escrevo nada sobre esse assunto, para assim não ferir susceptibilidades.
Ainda me lembrei de escrever algo sobre as pessoas que, por fé, caminham largas centenas de quilómetros, desde a sua terra natal (ou outra), até Fátima para cumprir promessas.
Mas se eu não concordo com esse feito porque entendo que o destino está traçado e promessas leva-as o vento, então escrever o quê?
Poderia sempre redigir umas palavras dizendo que respeito quem o faça porque eu por vezes a olhar para um jogo de futebol da minha equipa, e se algo está a correr menos bem, lá vem a minha, por vezes aflitiva expressão: AI JESUS.
Então escrever o quê, sobre os peregrinos se eles fazem o que fazem, num acto de fé? E não é a crença que nos guia nos caminhos da vida?
Ainda se eu conseguisse saber quando é que o “Papa”, não o verdadeiro, mas o outro, vem a Fátima pagar a promessa que fez na época passada ao falecido, que lhe ia oferecer o campeonato que decorria e que acabou por não cumprir. Vê-lo caminhar a pé com a sua madame brasileira ao lado a dizer-lhe:
Môr, kérido, está tão branco, tão cansado. Não caia, môr. Levante com energia, erga o "moral" e com muita fé, tente ir mais direito?
Cambaleia tanto, môr, com tanta dificuldade, nesta “estrada”, de "pavimento" tão liso!!!!!!
Será das “curvas …??????? Õ môr, kérido.
Claro que eu poderia ortografar que essa promessa não foi feita com sentimento, pois notava-se a olho nu que aquelas lágrimas, embora não fossem de crocodilo, eram de dragão sem chama, e o beicinho que tremia, não era mais que um arrepio causado pela própria consciência, que nesse momento lhe dizia: Fazes bem em prometer porque os papalvos que te olham, gostam e batem palmas, e tu ficas bem visto. O resto são... palavras levadas pela aragem.
Claro que não escrevo nada sobre isto se não lá me acusam de ser Ateu e de não respeitar a instigação de cada um. Não, não vou por aí.
Passo a mão pelo penteado, do pouco cabelo que ainda tenho, valha-me isso, e digo para comigo: Um dia destes tens que cortar a trunfa que até pareces um hip dos tempos modernos.
Mas cortar para quê, se ele cada dia que passa mais me cai? Não.
Decididamente, não vou sujar o chão do barbeiro, e muito menos do cabeleireiro, com bocaditos dos poucos filamentos que me restam.
Pensei ainda, para desanuviar, em falar dos "cortes" que aí vêm nos ordenados, pensões, reformas e afins?
Arrepiei-me tanto, tanto, que decidi:

Hoje não vou escrever nada
(Hoje não vou escrever nada)

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